Brasil errou ao tirar embaixador do Equador, diz Correa

Para presidente, não há nada de errado em pedir arbitragem internacional e relações continuam normais

BBC Brasil

20 de dezembro de 2008 | 21h38

O presidente do Equador, Rafael Correa, disse neste sábado que o Brasil "se apressou" e "cometeu um erro" ao tirar do país o embaixador brasileiro Antonino Marques Porto, em meio à crise envolvendo um empréstimo do BNDES para uma obra no país. Veja também: Equador diz que pagará empréstimos com órgãos multilateraisO Equador obteve o empréstimo para construir a usina hidrelétrica San Francisco. No entanto, o governo de Quito alega que a dívida com o BNDES de US$ 243 milhões é ilegal, pois há irregularidades na obra, feita pela empreiteira Odebrecht. Em novembro, o Equador anunciou que vai entrar com uma ação internacional na Câmara de Comércio Internacional (CCI), em Paris, para resolver a questão. O Itamaraty reagiu convocando o embaixador em Quito para consultas sobre a questão. Correa disse que não há nada de errado em pedir a arbitragem internacional e as relações diplomáticas com o Brasil continuam normais. "Nós não temos nenhum problema nas relações com o Brasil, trata-se de um problema comercial-financeiro, não um problema diplomático", disse o presidente em seu programa semanal de rádio. "Os braços e as portas estarão abertos para quando queiram devolver o embaixador", continuou. "Será sempre bem-vindo nosso querido amigo Antonino Marques." Dívida Correa se encontrou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta semana, durante a cúpula da América Latina e Caribe, na Bahia, mas após a reunião não houve mudanças na situação e o embaixador permanece no Brasil. Segundo o mandatário equatoriano, o encontro com Lula "foi de muita cordialidade e irmandade, e nele se defendeu a posição do Equador". O presidente também confirmou que seu país não pensa em deixar de pagar sua dívida com o BNDES, pelo menos enquanto a arbitragem internacional não chegue a uma conclusão. "Nunca dissemos isso", afirmou.

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