Brasil não define se atuará como mediador na crise da Bolívia

O chanceler brasileiro, Celso Amorim, se reuniu com o presidente Evo Morales e líderes da oposição boliviana

Efe

05 de abril de 2008 | 18h26

Os delegados de países "amigos" como Brasil, Argentina e Colômbia que visitaram a Bolívia esta semana se limitaram a explorar a crise política que atinge o país, mas ainda não definiram se atuarão como mediadores no conflito. Além da cautela, todos concordaram com a necessidade de buscar saídas "pacíficas" para a crise que atinge a Bolívia há meses, como afirmou neste sábado, 5, Celso Amorim.   O chanceler brasileiro se reuniu com o presidente Evo Morales e com líderes da oposição, assim como fizeram em dias anteriores o chanceler da Argentina, Jorge Taiana, e o vice-chanceler colombiano, Camilo Reyes.   "Os interesses de todos devem ser considerados dentro de uma visão geral de mudança, que é a do povo boliviano", declarou Amorim após se reunir no Palácio do Governo de La Paz com Morales e outras autoridades de seu gabinete.   O interesse de Morales é antecipar seu projeto de nova Constituição, que a oposição rejeita, pois considera que foram cometidas numerosas irregularidades durante sua aprovação na Assembléia Constituinte.   Várias regiões lideradas por opositores impulsionam processos autônomos que são considerados ilegais e separatistas para o Governo.   No último mês, a Igreja Católica tentou, sem sucesso, que ambas as partes dialogassem.   Como parte de seu trabalho de facilitação a Igreja programou uma reunião com os prefeitos regionais (governadores) opositores de Santa Cruz, Tarija, Beni, Pando e Cochabamba para a próxima segunda-feira, 7.   Os dirigentes cívicos de Santa Cruz, a região mais rica do país, já anteciparam estar inconformados com uma possível mediação de Brasil e Argentina, já que acreditam que seus líderes são "muito" amigos de Morales.   Por outro lado, o principal partido opositor, a aliança conservadora Poder Democrático e Social (Podemos), rejeita uma eventual intervenção da Organização dos Estados Americanos (OEA), que também enviou esta semana uma missão "exploradora" à Bolívia.   Para o chefe do Podemos, Jorge Quiroga, o presidente da OEA, o chileno José Miguel Insulza, está a serviço do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, um dos maiores aliados de Morales.   Quiroga, que presidiu a Bolívia entre 2001 e 2002, comentou neste sábado, 5, que para vencer a "complexa" crise na qual o país está imerso o Governo deve "deixar de lado os pisoteios e os abusos sistemáticos."   "Temos um Governo que há tempos não exerce a administração pública de forma democrática, mas atua de fato", denunciou o ex-presidente minutos antes de se reunir com Amorim em La Paz.   O chanceler brasileiro também se encontrou neste sábado, 5, com o Defensor público Waldo Albarracín e com o líder da força centrista opositora União Nacional (UN), o empresário Samuel Doria Medina.   Domingo, 6, Amorim viajará Santa Cruz para um encontro com o prefeito Rubén Costas e com outras autoridades regionais.   Em Santa Cruz quase um milhão de eleitores devem votar no referendo sobre o estatuto de autonomia do departamento que será realizada em 4 de maio, publicou neste sábado, 5, o jornal El Deber.   Diante da impossibilidade de frear a consulta, rejeitada pelo Governo, pelo Congresso e pela Corte Nacional Eleitoral, o vice-presidente Álvaro García Linera deixou claro que seu resultado será ilegal.   O jornal "La Prensa", da capital boliviana, revelou neste sábado, 5, que o chanceler do país, David Choquehuanca, enviou no final de março deste ano uma carta aos embaixadores no exterior para que façam "campanha" contra o referendo autônomo de Santa Cruz e os convocados por Tarija, Beni e Pando para junho.   A carta recomenda aos diplomatas que façam gestões "do mais alto nível" para que seus países não reconheçam "processos eleitorais que não estejam contemplados na Constituição e que ponham em perigo a unidade e a estabilidade democrática da Bolívia."

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