Brasil não é indiferente a conflito sul-americano, diz Garcia

Para assessor de Política Externa, 'nosso princípio de não interferência não pode significar indiferença'

Da Redação,

03 de março de 2008 | 12h33

O assessor especial de Política Externa, Marco Aurélio Garcia, comentou nesta segunda-feira, 3, a crise envolvendo a Colômbia, o Equador e também a Venezuela no caso do assassinato do segundo homem das FARC pelas forças colombianas em pleno território equatoriano. Em entrevista concedida à reportagem da Rádio CBN, ele disse que, em primeiro lugar, reduzir ao máximo a tensão e esclarecer todos os episódios que ocorreram na região. "O esclarecimento dos episódios contribuirá, entre outras coisas, para se chegar a um acordo duradouro, e retomar as iniciativas que vinham sendo conduzidas para lograr um acordo humanitário". Veja também:Colômbia acusa Equador e Venezuela na ONU Colômbia pede à Europa mediação do conflito na AL Fidel alerta para as 'trombetas da guerra' na América do Sul Exército colombiano mata número dois das FarcPerfil de Raúl Reyes, o 'número dois' das Farc Entenda a crise entre Colômbia, Equador e Venezuela  Por dentro das Farc     Para Marco Aurélio Garcia, esse conflito interno vivido pela Colômbia, além de produzir uma situação humanitária difícil como a dos reféns em poder das FARC, também pode render uma desestabilização das nações regionais. "Nós somos muito respeitosos às determinações dos países, dos povos, nós não queremos interferir em situações internas. Agora, o nosso princípio de não interferência não pode significar indiferença por parte do Brasil em relação a tudo isso". Garcia declarou, por outro lado, que uma crise como essa pode ir parar em outros fóruns, como, por exemplo, a OEA (Organização dos Estados Americanos) ou mesmo a ONU (Organização das Nações Unidas). No entanto, não sabe se seria uma coisa boa isso acontecer imediatamente. "Não sei se seria bom isso ocorrer rapidamente. Acho que seria melhor que nós pudéssemos resolver no âmbito sul-americano. Nós temos hoje em dia uma dinâmica de relações sul-americanas muito intensa. Nós deveremos ter em breve a reunião de constituição dos países sul-americanos e eu espero que esse episódio não venha a dificultar esse encontro e o estabelecimento do tratado" - disse.  "Se nós levarmos para a OEA ou para a ONU, fóruns absolutamente qualificados para o caso, tenho a impressão que, num primeiro momento, precisaríamos introduzir outros parceiros nessa negociação, o que não me parece muito adequado. Nós temos todas as condições de procurar resolver esse conflito no âmbito sul-americano", disse Garcia. Questionado sobre as FARC, Garcia falou que o Brasil tem adotado uma posição muito clara em relação a isso, ou seja, é um problema interno da Colômbia. "Se nós fôssemos atribuir um status de força insurgente às FARC, nós estaríamos evidentemente interferindo no processo interno da Colômbia, atribuindo-lhe um grau de internacionalização que o governo não deseja - e é justo que não o queira! - e que não acho positivo também, no atual momento, fazê-lo" - considerou. "Se, por outro lado, estivéssemos atribuindo às FARC o caráter de terroristas, narcotraficantes e coisas do tipo, estaríamos infringindo uma norma nossa de não atribuir certificação. Ao mesmo tempo, estaríamos, de certa maneira, comprometendo a nossa capacidade ou a capacidade de outras forças de negociar, no futuro, um acordo humanitário com eles".    

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