'Brasil não é ONG', diz assessor de Lula sobre dissidentes

Garcia defendeu declarações de Lula sobre presos políticos e criticou políticas dos EUA para Cuba

Efe,

12 de março de 2010 | 20h28

O assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, disse nesta sexta-feira, 12 que o Brasil não se relaciona com dissidentes, nem de Cuba, nem de nenhum outro país.

 

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"Não somos uma ONG. O Governo do Brasil encara as questões de forma responsável", disse Garcia a correspondentes estrangeiros em São Paulo, ao insistir que o Executivo "não se relaciona com dissidentes, nem em Cuba, nem em outros países".

 

Garcia respondeu assim às críticas recebidas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva por não comentar a situação dos dissidentes na visita que fez a Cuba em fevereiro passado, um dia depois de o preso político Orlando Zapata Tamayo morrer após 85 dias de greve de fome.

 

Dias antes dessa visita, 50 dissidentes cubanos pediram em uma carta para que Lula intercedesse por sua liberdade quando se encontrasse com seu colega cubano, Raúl Castro, e seu irmão mais Velho, o ex-presidente Fidel.

 

"Nos relacionamos com Governos e, quando temos sensibilidades em algumas questões, procuramos resolvê-las de outra maneira. Um discurso do presidente Lula teria sido muito bom para sair na imprensa e ser festejado, mas teria uma eficácia extremamente pequena, se não negativa", opinou Garcia.

 

A postura de Lula sobre Cuba foi chamada de "cínica" pela comunidade opositora exilada em Miami, principalmente depois da morte de Zapata Tamayo.

 

No entanto, segundo o assessor presidencial, "assumir uma posição seria uma situação contraproducente". Garcia citou todas as políticas dos Estados Unidos, que "não resolveram nada" e "agravaram a situação de Cuba, não só de 100 dissidentes, mas de milhões de pessoas".

 

Para Garcia, "evidentemente o regime de Cuba não é um paradigma" para o Brasil, que tem "outro modelo e outro caminho", mas insistiu em que o Governo acredita que, para melhorar os direitos humanos na ilha, é preciso negociações discretas.

 

Segundo o assessor, todos os que foram a Cuba para "dialogar com exigências fracassaram. Os cubanos não querem isso, pois, muito mais que socialistas, são nacionalistas".

 

Garcia defendeu que o Brasil tem "uma posição inflexível de defesa dos direitos humanos" e reiterou que procura "resolver essas questões em foros multilaterais e não em procedimentos seletivos".

 

Para o assessor presidencial, "as negociações têm que ter outras bases" e "caráter discreto" e assegurou que, apesar de Lula não ter dado declarações de efeito sobre a morte de Zapata, esta foi "tratada" na ilha, embora "com discrição".

 

Garcia também se pronunciou sobre outra carta escrita para Lula nesta semana por opositores ao regime cubano e que, segundo um deles, não foi recebida na Embaixada do Brasil em Havana por falta de assinaturas dos remetentes.

 

"(Apenas) foi entregue um papel sem assinatura alguma", disse Garcia, segundo o qual "o presidente não pode reagir sobre qualquer documento".

 

A Comissão de Relações Exteriores do Senado brasileiro aprovou nesta quinta um voto de solidariedade aos "presos de consciência" cubanos, em meio a críticas a Lula por desqualificar as greves de fome dos presos políticos da ilha e compará-los aos criminosos comuns detidos nas prisões brasileiras.

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