Brasil não mediará crise entre Chávez e Uribe, diz Amorim

Ministro das Relações Exteriores afirma que Colômbia e Venezuela não solicitaram a ajuda do governo brasileiro

Denise Chrispim Marin, O Estado de S.Paulo

30 de novembro de 2007 | 21h30

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, declarou nesta sexta-feira, 30, que o Brasil não atuará como mediador do atual conflito diplomático instaurado pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, com a Colômbia. Na verdade, o governo brasileiro mostra-se ciente de que qualquer intromissão formal nessa crise, sem a devida solicitação dos dois lados, poderia agravá-la.   Nas primeiras horas desta sexta, Amorim encontrou-se com o chanceler colombiano, Fernando Araujo, no aeroporto de Bogotá. Em cerca de uma hora de conversa, não ofereceu a intermediação brasileira. Mas tampouco ouviu de Araujo um pedido nesse sentido. Nas horas seguintes, Amorim tentou conversar, por telefone, com o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Nicolás Maduro, que estava no Equador. Não teve sorte, e a conversa deverá ficar para a segunda-feira.   Apesar da intenção formal do governo brasileiro de não envolver-se nessa crise, Amorim antecipou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá encontrar-se com seu colega colombiano, Álvaro Uribe, à margem da posse da nova presidente da Argentina, Cristina Kirchner, no próximo dia 9. Se Chávez estiver presente ao evento, em Buenos Aires, também há possibilidade de uma conversa com Lula.  "Mediação não é a palavra certa. Mediação não se oferece. Para ocorrer, precisa haver disposição dos dois lados envolvidos", afirmou Celso Amorim à imprensa brasileira, em São Paulo. "A mediação, quando não é pedida, só atrapalha e pode criar mal-entendido", acrescentou, para em seguida acentuar o interesse do Brasil na retomada do diálogo e no bom relacionamento entre a Colômbia e a Venezuela.  No seu retorno do México, onde realizou uma visita oficial, Amorim oportunamente escolheu Bogotá para a escala técnica do avião. Araujo foi ao seu encontro no aeroporto para fazer um detalhado relato do processo que levou Chávez a tornar-se mediador do acordo humanitário entre o governo colombiano e a Força Armada Revolucionária da Colômbia (Farc) e que acabou por gerar a crise nas relações bilaterais. Chávez decidiu congelar as relações da Venezuela com a Colômbia até o final do governo Uribe, que o destituíra da função de mediador dessas negociações no último dia 24.  Durante a conversa, Araujo expressou a Amorim sua avaliação de que não houve rompimento nas relações entre os dois países, uma vez que Bogotá não chamou de volta seu embaixador em Caracas. O chanceler colombiano destacou ainda que Uribe havia avisado Chávez para não negociar diretamente com o Comando do Exército da Colômbia a criação de uma zona desmilitarizada - uma clássica reivindicação da Farc, rejeitada enfaticamente por Bogotá. A insistência de Chávez, segundo Araujo, levou Uribe a destituí-lo da função de mediador.  Referendo  Questionado sobre o referendo popular sobre a reforma constitucional redigida por Chávez, marcado para domingo, 2, Amorim mostrou-se alheio aos fatos recentes ocorridos na Venezuela. O chanceler afirmou que não houve cerceamento à exposição dos argumentos da oposição e argumentou que artigos com teor contrário à reforma foram publicados e que manifestações públicas ocorrem sem problemas.  Na quinta-feira, 29, estudantes da Universidade Metropolitana de Caracas, que protestavam contra a mudança na Constituição, foram atacados pela Guarda Nacional com gás lacrimogêneo. No início da semana, o próprio Chávez ameaçou de expropriação as empresas privadas, cuja federação havia divulgado um comunicado em prol do voto contrário à reforma. Esse tipo de expropriação será uma das prerrogativas do governo venezuelano, caso seja aprovada a reforma, com claro pendor autoritário.

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