Brasil pede libertação de Ingrid e demais reféns das Farc

Governo condena "prática inaceitável" do seqüestro e renova disposição de ajudar em ações humanitárias

Efe,

08 de abril de 2008 | 12h11

O governo brasileiro voltou a defender nesta terça-feira, 8, a libertação da franco-colombiana Ingrid Betancourt e de todos os seqüestrados em poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), e elogiou os recentes passos do Executivo do presidente colombiano, Álvaro Uribe.  Veja também:Ingrid pode não estar tão doente quanto se pensava, diz FrançaCercadas, Farc vêem opções se esgotaremConheça a trajetória de Ingrid Betancourt Por dentro das Farc Entenda a crise  Histórico dos conflitos armados na região   Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que "o governo brasileiro acompanha com crescente preocupação a situação de Ingrid Betancourt", e condenou a "prática inaceitável" do seqüestro. O Brasil, segundo o comunicado, "apela para que Ingrid Betancourt e outros cidadãos que estão em poder das Farc, em especial aqueles cuja saúde inspira mais cuidados, sejam prontamente libertados". Além disso, a nota expressa que o Executivo brasileiro "vê com interesse recentes manifestações do governo colombiano, no sentido de conceder anistia em troca da libertação de todos os seqüestrados, e considera que este caminho deve ser aprofundado". Por fim, o comunicado "renova sua permanente disposição em favor de ações humanitárias que contem com o apoio do governo colombiano". Ingrid foi seqüestrada em fevereiro de 2002, quando era candidata à Presidência, e está sob poder das Farc desde então. Parentes da política franco-colombiana, como seu filho Lorenzo Delloye, pediram para que o Brasil tenha um papel mais ativo em favor da libertação dos seqüestrados. Durante os últimos anos, o governo brasileiro ofereceu seu território para realizar negociações e disse que está disposto a ajudar como for necessário, se houver uma solicitação da Colômbia, o que até o momento não ocorreu. Missão francesa O ministro de Relações Exteriores francês, Bernard Kouchner, disse nesta terça-feira, 8, que a missão humanitária enviada à Colômbia para tentar prestar socorro à Ingrid Betancourt e aos demais reféns das Farc continuará no país. O chanceler afirmou ainda que caso a guerrilha não responda ao pedido de acesso à refém, a França terá que buscar outro caminho para tentar a libertação. "Não esperávamos ter uma resposta em 24 ou 48 horas. Vamos ver. Aguardamos, esperamos, comunicamos os contatos. Se não der certo, tentaremos outro caminho", afirmou o chefe da diplomacia francesa, em sua entrevista coletiva quinzenal. A missão humanitária, enviada por França, Espanha e Suíça, está em Bogotá desde a última quinta-feira, esperando que a guerrilha colombiana permita a prestação de assistência médica a Betancourt."Por enquanto, a missão permanece por lá. Não vamos cruzar os braços em seguida", disse Kouchner. "Se esta missão que está na Colômbia, e os esforços dos embaixadores dos três países, não forem suficientes, então inventaremos outra coisa. Mas não desistiremos", destacou. Para Kouchner, o maior empecilho para o sucesso da missão reside justamente em uma resposta positiva das Farc. "Se através deste canal o objetivo não for alcançado, já que as Farc sem dúvida estão desorganizadas pela morte de dois dos sete integrantes de seu secretariado, então tentaremos por outro caminho", insistiu Kouchner. Quando o presidente francês, Nicolas Sarkozy, anunciou, há uma semana, que enviaria a missão humanitária à Colômbia, afirmou que Ingrid estava correndo risco de morte iminente. No entanto, o próprio Kouchner disse na segunda-feira que tem a "sensação" de que a refém "estaria em condições melhores do que as que foram divulgadas", em uma referência aos rumores alarmantes que circularam na semana passada. Perguntado nesta terça em que se baseava para dar essa declaração, o chefe da diplomacia francesa citou exames médicos e análises biológicas sobre os quais o governo foi informado. Ainda assim, Kouchner admitiu que há muitas incertezas a respeito da refém. Na semana passada, um guerrilheiro recém detido, e considerado o "médico" da cúpula das Farc, deu informações importantes a respeito de Ingrid. Segundo o homem, a ex-candidata à Presidência colombiana sofre de desnutrição aguda, gastrite, malária, síndrome do colón irritável e dor aguda no abdômen.

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