'Brasil perdeu uma expressiva figura', diz Temer sobre Zilda

Membros do governo e da oposição concordaram que falecimento de médica é uma 'grande perda' para País

estadao.com.br,

13 de janeiro de 2010 | 13h56

O mundo político segue lamentando a morte da médica Zilda Arns, fundadora e coordenadora internacional da Pastoral da Criança, que foi vitimada pelo terremoto que atingiu o Haiti nesta terça-feira, 12. Irmã do cardeal-arcebispo de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns, e tia do senador Flávio Arns (PSDB-PR), Zilda estava no Haiti como parte de uma série de visitas a países da região e morreu com a queda de escombros, no momento do terremoto, enquanto caminhava nas ruas da capital Porto Príncipe.  

 

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi um dos primeiros a ser informado sobre a morte da coordenadora nacional da Pastoral da Criança. Segundo relato do ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, o presidente "estava absolutamente chocado" com o falecimento da médica. "(Zilda) é uma pessoa de grande projeção no País", ressaltou o ministro.

 

Em nota divulgada mais tarde, o presidente disse estar "profundamente consternado com a tragédia que atingiu o Haiti" e fez uma menção especial sobre a médica brasileira, desejando "que Deus dê conforto a todos neste momento doloroso".

 

Lula, Amorim e o ministro da Defesa, Nelson Jobim se reuniram mais cedo para definir as providências que seriam tomadas para socorrer brasileiros que estão no Haiti. Jobim disse no encontro que embarcará até o meio-dia para Belém, de onde pretende seguir para Porto Príncipe. Ele confirmou a morte de quatro militares brasileiros. Um deles acompanhava Zilda Arns. O ministro da Defesa também confirmou que o senador Flávio Arns, sobrinho de Zilda, irá ao Haiti no avião da Força Aérea Brasileira que parte ainda nesta quarta-feira.

 

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), decretou luto oficial de três dias pela morte de Zilda Arns. Serra anunciou que vai dar o nome da médica ao Parque da Integração, em Sapopemba, na zona leste, que será inaugurado neste sábado, 16. O parque foi construído numa faixa de terra sob a qual existe uma adutora da Sabesp e que corta vários bairros da região. Mais cedo, em discurso durante evento no Palácio dos Bandeirantes, Serra lamentou a morte da médica ao lembrar o trabalho dela para a redução da mortalidade infantil. "Zilda foi daquelas pessoas que vieram ao mundo buscar a felicidade pelo caminho da felicidade dos outros", disse o governador. "Era uma mulher extraordinária, a pessoa que mais fez pelo bem das crianças do nosso País."

 

O Ministério da Saúde também emitiu nota para lamentar a morte de Zilda. Ela estava no Haiti disseminando entre religiosos de comunidades carentes daquele país as práticas da Pastoral, entidade que tem o Ministério da Saúde como parceiro financeiro. Segundo o órgão, Zilda Arns também era coordenadora da Pastoral do Idoso.

 

Reação no Congresso

 

No Congresso, os presidentes do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP), divulgaram notas em que reconhecem a importância da médica. Para Sarney, "o Brasil perdeu uma de suas mais expressivas figuras. Ela era um exemplo extraordinário de dedicação às crianças, aos pobres e às causas sociais".

 

Já Temer ressaltou o trabalho da médica junto às Pastorais e indicou que ela deixa "milhões de órfãos". "Não só os integrantes de sua família, mas também os muitos filhos adotados por ela na Pastoral da Criança e na Pastoral do Idoso", indica a nota.

 

O senador Gerson Camata (PMDB-ES) também lamentou a morte da médica. Ele ressaltou a importância do trabalho de Zilda Arns para minimizar a miséria no Haiti, onde o congressista esteve há três meses, em missão da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional.

 

Para o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) a médica "falece com a mesma grandeza e importância mundial de Sérgio Vieira de Mello", o diplomata brasileiro funcionário das Nações Unidas, que faleceu em Bagdá em 2003. "Ele morreu lutando pela paz no Iraque e foi vítima de ataques terroristas; ela, lutando pela paz social, foi morta por uma tragédia natural", indicou.

 

Por sua vez, o senador Heráclito Fortes (DEM-PI) disse que a médica "é um exemplo que deve ser seguido por todos os brasileiros. Com sua morte, fica uma lacuna que dificilmente, a curto prazo, poderá ser preenchida".

 

O deputado federal Raul Jungmann (PPS-PE), membro da Comissão de Relações Exteriores da Câmara e presidente da Frente Parlamentar de Defesa Nacional, também lamentou a perda de Zilda Arns, uma pessoa "que reunia em sua pessoa a generosidade, a caridade e o cuidado com os mais vulneráveis, sobretudo com as crianças. Uma perda inestimável para o Brasil e para o mundo".

 

Luto Oficial

 

O governador do Paraná, Roberto Requião, que está em Brasília, decretou luto oficial de três dias no Estado pela morte de Zilda Arns. Através do twitter, Requião afirmou que perdeu uma grande amiga e que sua morte representa grande perda para o Brasil e dor para os amigos.

 

Legado

 

Zilda Arns Neumann era atualmente coordenadora da Pastoral da Criança Internacional e da Pastoral do Idoso. A Pastoral da Criança acompanha mais de 1,9 milhões de gestantes e crianças menores seis anos e 1,4 milhão de famílias pobres, em 4.063 municípios brasileiros. São mais de 260 mil voluntários.

 

A médica havia viajado neste final de semana para encontro missionário em uma entidade chamada CIFOR.US e estava hospedada na sede episcopal. De acordo com a sua assessoria, a coordenadora estava no Haiti para levar a metodologia de atendimento da Pastoral da Criança no combate à desnutrição.

 

Por seu trabalho na área social, Zilda recebeu diversas condecorações. Em 2006 foi indicada ao Prêmio Nobel da Paz junto com mulheres de todo o mundo selecionadas pelo Projeto 1000 Mulheres, de uma associação suíça.

 

Com informações de Carolina Freitas e Priscila Trindade, da Agência Estado, e da Agência Senado

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