Brasil pode participar de resgate de refém das Farc, diz Piedad

Senadora colombiana diz que libertação de sequestrado detido há 11 anos pode ser realizada em até 30 dias

Agências internacionais,

17 de abril de 2009 | 12h21

A libertação de Pablo Moncayo, refém das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) há mais de 11 anos, pode acontecer em até 30 dias, assim que o grupo rebelde entregar as coordenadas e definir a logística para a entrega do militar, segundo afirmou nesta sexta-feira, 17, senadora colombiana Piedad Córdoba. Ela disse ainda que o Brasil poderá participar da operação, como aconteceu no último resgate de reféns.

 

O secretariado das Farc anunciou na quinta que libertará unilateralmente o cabo Emilio Moncayo, um de seus mais antigos reféns. O drama de Moncayo, sequestrado quando tinha 19 anos, ganhou notoriedade depois que o pai do refém, o professor primário Gustavo Moncayo, caminhou mais de mil quilômetros pelo país em campanha por um acordo com as Farc que trouxesse de volta seu filho. Por causa da mobilização, ele ficou nacionalmente conhecido como "Andarilho da Paz".

 

O anúncio foi feito três semanas depois de a guerrilha entregar o corpo de um militar morto no cativeiro e comunicar que abriria mão de uma zona autônoma para voltar à mesa de negociações com o governo. Capturado em uma emboscada a uma base do Exército, em 1997, Moncayo deverá ser entregue a Piedad - ela mesma ex-refém, atualmente próxima de Chávez. Os detalhes do acordo, porém, ainda não foram definidos.

 

Em fevereiro, a senadora esteve envolvida nas operações que culminaram na libertação do ex-governador do Departamento de Meta Alan Jara, do ex-deputado Sigifredo López e de seis militares, que tiveram apoio operacional do Exército brasileiro. Piedad disse que o processo de libertação no qual o Brasil participou, no mês de fevereiro, "ocorreu de maneira muito rápida e eficiente". Na ocasião, a Força Aérea Brasileira (FAB) emprestou dois helicópteros ao Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), entidade designada pelo governo de Bogotá para coordenar a libertação de seis reféns, e ajudou na estratégia logística. "Vamos fazer absolutamente tudo da mesma maneira", explicou a senadora, que é também dirigente da organização Colombianos pela Paz e mediadora entre o governo do país e a guerrilha.

 

"Esperamos que a libertação se dê, como no passado, em um prazo máximo de 30 dias, enquanto conseguimos as coordenadas e organizamos a logística e a presença internacional, que como ocorreu na última vez, hoje é absolutamente necessária", afirmou. Em meio a denúncias de que militares colombianos criam obstáculos para a entrega de reféns, Piedad explicou que o governo colombiano prometeu formalmente facilitar a operação. Na véspera, em declarações à imprensa local, o comissário para a paz designado pela Colômbia, Frank Pearl, afirmou que o governo dará as garantias e condições necessárias para a nova operação.

 

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) ofereceu sua mediação para facilitar a libertação do militar. Yves Heller, porta-voz do CICV na Colômbia, fez nesta sexta, em Madri, a oferta da organização humanitária, que fez extensiva para todos os reféns sob poder de grupos armados colombianos. "O CICV está disposto a oferecer seus bons ofícios para facilitar a libertação das pessoas que estão em poder dos grupos armados, tanto nas mãos das Farc quanto do Exército de Libertação Nacional (ELN)", disse Heller.

 

O porta-voz do CICV na Colômbia disse que a organização humanitária está preocupada tanto com os "civis que estão privados de liberdade" quanto com os membros "das polícias" que estão nas mãos das Farc, ainda mais se forem levadas em conta as condições "muito difíceis" dessas pessoas na selva.

Tudo o que sabemos sobre:
FarcColômbia

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.