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'Brasil procura sarna para se coçar', diz Azeredo sobre Honduras

Mercadante rejeita crítica do presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado sobre Zelaya

Carol Pires, O Estado de S. Paulo

22 de setembro de 2009 | 13h06

O presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) do Senado, senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), disse nesta terça-feira, 22, que o Brasil "exagerou" ao abrigar na embaixada brasileira, em Tegucigalpa, Honduras, o presidente deposto daquele país, Manuel Zelaya. "Esta situação é grave, e o Brasil fica procurando sarna para se coçar. Essa história de que foi surpresa o Zelaya aparecer por lá não convence", disse o senador.

 

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O líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante (SP), criticou a declaração de Azeredo sobre as declarações do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, em Nova York, negando que o governo brasileiro soubesse antecipadamente do retorno de Zelaya ao país. "O direito de abrigo em uma embaixada é uma condição fundamental do estatuto da defesa dos direitos humanos e foi utilizado por muitos brasileiros, inclusive por militantes do PSDB, no golpe do Chile, quando ficaram meses amontoados em embaixadas para fugir da perseguição da ditadura de Pinochet", disse Mercadante.

 

Na opinião de Azeredo, o governo brasileiro deveria ter deixado a Organização dos Estados Americanos (OEA) procurar uma solução para o impasse. "O Brasil estava certo ao protestar contra o golpe em Honduras, mas no meio do caminho houve um exagero do Brasil em buscar um destaque internacional", ponderou o senador. Azeredo disse que não conseguiu conversar com o chanceler brasileiro nos últimos dias, mas informou que vai discutir o assunto com os demais membros da comissão.

 

O senador do PT afirmou que as críticas devem ser feita aos "golpistas" que tomaram o poder em Honduras, e não à Embaixada brasileira. "O que os democratas do Brasil precisam, neste momento, é condenar com veemência o golpe em Honduras e garantir a integridade física do presidente deposto Manuel Zelaya e restabelecer o estado democrático em Honduras como exigem a Organização dos Estados Americanos (OEA) e a Organização das Nações Unidas (ONU), que expulsou o represente dos golpistas da ultima reunião, e como têm feito os principais países democráticos", afirmou Mercadante.

 

Ao comentar sobre o abrigo ao hondurenho, ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, afirmou que a "regra do asilo é uma regra da civilização". "Esse é um direito humano elementar", completou. A ministra, entretanto, negou que o governo brasileiro tenha colaborado para que Zelaya entrasse em Honduras. "O fato de ele estar lá na embaixada não significa que o Brasil ajudou, incentivou ou deu cobertura", observou

 

(Com Leonardo Goy e Gerusa Marques, de O Estado de S. Paulo)

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