Brasil promete enviar 14 toneladas de alimentos ao Haiti

Itamaraty afirma que ajuda humanitária para conter crise por alta no preço dos alimentos parte na sexta-feira

Agência Brasil e Associated Press,

09 de abril de 2008 | 09h37

O Brasil vai enviar, nesta semana, 14 toneladas de alimentos ao Haiti. Segundo o Ministério das Relações Exteriores afirmou na terça-feira, 8, o envio dos alimentos é uma resposta ao pedido do governo haitiano de assistência humanitária alimentar de emergência. Nesta quarta-feira, Forças de Paz das Nações Unidas enfrentaram novamente a população para tentar deter os saques e confrontos no país, lançando bombas de gás lacrimogêneo nos arredores do palácio presidencial, segundo apontaram testemunhas citadas pela agência France Presse.   Veja também: Protestos contra alta dos alimentos paralisam capital Haitianos atacam força da ONU em protesto contra preços   Serão enviados 6.950 quilos de feijão, 4.050 quilos de açúcar e 3 mil latas de óleo. Os alimentos serão transportados em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) na próxima sexta-feira.   Em nota, o Itamaraty afirma ainda que nesta quarta, em Roma, a Missão do Brasil junto à Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) organizará uma reunião para discutir a possibilidade de o Programa Mundial de Alimentos contribuir, com urgência, para o envio de gêneros alimentícios de primeira necessidade ao Haiti.   Na segunda, o Programa Mundial de Alimentação da ONU advertiu que a elevação dos preços da comida no mundo poderia levar a situações de tensão como a vista no Haiti. Segundo a organização, distúrbios relacionados com o aumento do custo de vida já tinham atingido Burkina Fasso, Camarões, Egito, Indonésia, Costa do Marfim, Mauritânia, Moçambique e Senegal.   O governo brasileiro afirmou que considera fundamental que a comunidade internacional, nos termos das resoluções pertinentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas, cumpra o compromisso de promover a melhora efetiva das condições de vida da população haitiana e a estabilidade do país. "O Brasil continuará empenhado em dar sua parcela de contribuição nesse esforço", conclui o comunicado.   Violência   A polícia retirou bloqueios das ruas de Porto Príncipe e manifestantes novamente queimaram pneus nesta quarta-feira, 9, no Haiti. Espera-se que um discurso do presidente do país possa acalmar os ânimos. "Eu acredito que se o presidente (Rene) Préval falar ao povo sobre o alto custo de vida, as pessoas ouvirão o presidente e irão para casa", disse o senador Joseph Lambert. "Caso contrário, se houver uma tentativa de golpe de Estado para retirar o presidente, as coisas piorarão."   O descontentamento com os preços dos alimentos no Haiti - país mais pobre do hemisfério ocidental - transformou-se no principal desafio para Préval desde sua eleição, em 2006. Manifestantes pedindo a saída do líder tentaram invadir o palácio presidencial na terça-feira. Capacetes azuis das Nações Unidas dispersaram o grupo, utilizando gás lacrimogêneo e balas de borracha.   Em diferentes partes do mundo, o preço dos alimentos subiu 40%, em média, desde o meio do ano passado, o que vem causando protestos e conflitos em diversos países. No Haiti, a situação é bastante delicada, pois há uma séria ameaça à democracia num país em que a maioria das pessoas vive com o equivalente a menos de US$ 2 ao dia.   Os manifestantes também pedem a saída da missão das Nações Unidas no país. A força, comandada pelo Brasil, é acusada por moradores de ser em parte culpada pelo aumento dos preços dos alimentos. Os capacetes azuis chegaram ao Haiti em 2004. A missão deles era controlar o país, que vivia uma situação caótica depois da queda do então presidente Jean-Bertrand Aristide.

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