Brasil suspende financiamento de 24 Supertucanos ao Equador

Negócio de US$ 261 milhões é vetado em retaliação às ameaças de calote ao BNDES feitas por Rafael Correa

Tânia Monteiro e Lu Aiko, de O Estado de S. Paulo,

24 de novembro de 2008 | 21h53

O governo brasileiro suspendeu a autorização para que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) financie a venda de 24 aviões Supertucanos à Força Aérea do Equador, um negócio de US$ 261 milhões. A medida é mais uma retaliação ao calote anunciado na semana passada pelo presidente equatoriano, Rafael Correa, que decidiu recorrer à Corte Internacional de Arbitragem para não pagar a dívida de US$ 243 milhões ao BNDES - dinheiro investido na construção da Usina Hidrelétrica de San Francisco, obra tocada pela construtora brasileira Norberto Odebrecht, que foi expulsa do país. Veja também:Equador põe em risco convênio de crédito latino, diz AmorimEquador diz que analisará dívida externa com cuidado Formalmente, o governo brasileiro ainda não negou o financiamento do BNDES para a compra dos Supertucanos pelo Equador, mas fontes do Planalto foram categóricas, ontem, ao tratar do assunto: "Temos todo o interesse em fechar o negócio. A Embraer não é a Odebrecht, os negócios são completamente diferentes, mas eles (equatorianos) terão de encontrar outra fonte de financiamento."  O negócio da venda dos aviões da Embraer foi anunciado em abril passado pelo próprio Correa. Recentemente, os equatorianos pediram à empresa brasileira para antecipar a entrega de quatro dos aviões para maio do ano que vem. O acordo preliminar foi acertado, mas o contrato não foi assinado e, agora, ele poderá sofrer restrições porque a idéia era financiar a operação de exportação com recursos do BNDES. Diante do calote no financiamento da hidrelétrica, o próprio banco mandou um recado informal aos negociadores equatorianos: o BNDES não vai analisar novas operações até que se resolva o impasse que envolve a obra da Odebrecht. Com isso, se quiser mesmo receber os aviões em maio, como pediu, Corrêa terá de encontrar outra forma de financiar a compra.  O Brasil tem todo o interesse em concretizar o negócio - comercial e estrategicamente. Comercialmente, porque ele é importante para a Embraer, uma vez que aumenta a área de influência dos seus negócios na América Latina. Mas um ministro assegurou ontem ao Estado que, nessas condições, "não há possibilidade de o financiamento ser aprovado". Colômbia, Chile e El Salvador já possuem Supertucanos integrados às suas Forças Aéreas.  Isso facilita a integração entre as forças, permitindo melhor comunicação durante os exercícios e, em caso de necessidade, de uma operação conjunta de combate ao narcotráfico, por exemplo - além de dar mais equilíbrio à região e uma relativa independência em relação à equipamentos estrangeiros. A configuração escolhida pelo Equador é a chamada Versão Colômbia, com instrumentos eletrônicos comprados de Israel e capacidade para o uso de armas inteligentes - bombas e mísseis guiados por laser e GPS. Cada avião pode levar até 1,5 tonelada de carga de ataque, mais duas metralhadoras orgânicas .50. As aeronaves eletrônicas do tipo AEW têm um custo básico unitário de US$ 80 milhões - fora o material de suporte. O ministro da Defesa do Equador, Javier Ponce, disse na ocasião que "o equipamento, centralizado no sistema do radar sueco Erieye, aumentaria de maneira significativa a capacidade de pronta resposta da aviação e defesa aérea."

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