Brasil venderá caminhões e ônibus para Bolívia, diz Lula

Presidente descarta envio de tropas; governo anuncia ajuda para refugiados que cruzaram fronteira no Acre

Leonencio Nossa e Tânia Monteiro, de O Estado de S. Paulo,

17 de setembro de 2008 | 15h35

Em meio à crise política na Bolívia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se dispôs a vender ônibus e caminhões para o exército do país vizinho. Numa entrevista à TV Brasil, que vai ao ar na noite desta quarta-feira, 17, Lula descartou o envio de tropas. "Nem pensar em ingerência brasileira na Bolívia, muito menos tropas", disse, segundo antecipou o site da Agência Brasil.  Veja também:Trechos da entrevista de Lula à TV BrasilGoverno e oposição assinam trégua na BolíviaBolivianos se refugiam no AcreBolívia tem histórico de golpes e crises  Entenda os protestos da oposição na Bolívia Entenda o que é a Unasul  Enviada especial fala sobre trégua na Bolívia Enviada do 'Estado' mostra fim dos bloqueios Imagens das manifestações   Na tarde de terça, o presidente boliviano, Evo Morales, disse em entrevista que Lula havia se comprometido a desmantelar grupos armados que estariam atuando contra o governo. Lula deixou claro na entrevista à TV Brasil que só oferecerá veículos e ressaltou que a Polícia Federal, como já faz, estará na fronteira, do lado brasileiro. Questionado sobre qual ajuda daria à Bolívia, Lula respondeu: "Qual a ajuda? Veja, o Evo Morales pediu para a gente ver se pode vender caminhões para as tropas dele. Nós vamos tratar de ver se a indústria automobilística brasileira pode produzir, e com uma certa rapidez, alguns caminhões para a Bolívia." O presidente brasileiro avaliou que a venda de carros não deve ser encarada como uma interferência. "Se fosse assim, você não poderia vender nada para ninguém. Nós estamos fazendo uma relação comercial." Refugiados O governo brasileiro e as autoridades do Acre ajudarão entre 100 e 200 bolivianos que cruzaram a fronteira fugindo dos protestos contra o presidente Evo Morales, informaram nesta quarta-feira fontes oficiais.  O porta-voz do governo do Acre, Carlos Alberto Bernardo, explicou que a situação é delicada nos municípios de Brasiléia e Epitaciolândia, nos quais se concentraram os cidadãos bolivianos, em sua maioria procedentes do departamento (estado) de Pando, onde rege um estado de sítio. Bernardo disse que, de Rio Branco, capital do Acre, foram enviados médicos, alimentos e roupa para essas cidades limítrofes com a Bolívia. Além disso, foram habilitados alguns prédios públicos, a fim de oferecer abrigo aos refugiados. Pelo menos 100 bolivianos fugiram do Departamento de Pando, na fronteira com o Acre, para se refugiarem na cidade de Brasiléia, já em território brasileiro, onde pediram às autoridades locais para serem alojadas em abrigos, informou a imprensa local na noite de terça 16.  Entre os quase mil bolivianos que fugiram desde quinta-feira passada, está Paulo Bravo, senador do departamento autonomista de Pando pelo partido Podemos, e a presidente do Comitê Cívico de Pando, a opositora Ana Melena. O exôdo teve início após o massacre de pelo menos 18 camponeses que faziam um protesto pró-Evo na semana passada. Os bolivianos cruzaram a fronteira de Cobija, onde na terça-feira foi detido o governador de Pando, Leopoldo Fernández, acusado de "genocídio" por sua suposta responsabilidade na morte de pelo menos 15 pessoas. Saúde Bernardo ressaltou que algumas das pessoas que chegaram ao Brasil apresentavam ferimentos, mas nenhuma delas estava em estado grave, conforme informaram à Agência Efe fontes oficiais. Em Rio Branco, se reuniram nesta quarta representantes do Parlamento, do Ministério das Relações Exteriores e autoridades locais com um grupo de parentes de brasileiros que vivem no conflituoso departamento de Pando e em outras regiões bolivianas. O diplomata José Luiz Pereira declarou que, "embora a situação hoje seja menos preocupante, é necessário saber quantos são e onde estão os brasileiros para poder atuar em caso de emergência." Por essa razão, ele reiterou que é necessário que os brasileiros que ainda estão na Bolívia se dirijam aos consulados de seu país para atualizar os registros, a fim de poder localizá-los caso precisem ser evacuados do país andino.  (Com João Paulo Charleaux, de O Estado de S. Paulo, e Efe)

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