Brasileira que revelou caso de Spitzer chega ao País no sábado

Andréia Schwartz, testemunha-chave da denúncia que derrubou o governador de NY, desembarca em Cumbica

Talita Eredia, do estadao.com.br,

14 de março de 2008 | 15h13

A família da brasileira Andréia Schwartz confirmou que ela chegará no País na manhã desde sábado, 15, após o acordo de extradição com a Promotoria dos Estados Unidos pela colaboração que permitiu o desmantelamento da rede de prostituição com a qual o governador de Nova York, Eliot Spitzer, foi vinculado nesta semana. A mãe de Andréia, Elza Dias, contou que a filha está bem e chegará em Cumbica por volta das 8 horas.   Veja também: Spitzer pode ter gasto verba de campanha com prostitutas A prostituta de US$ 4 mil que derrubou o governador Brasileira é testemunha-chave no caso do governador de NY Escândalos sexuais na política americana   Familiares afirmaram que aguardam o contato da capixaba de 33 anos ainda nesta sexta-feira. Condenada a 18 meses de prisão por explorar prostituição, posse ilegal de drogas e lavagem de dinheiro, ela é a testemunha-chave do caso e esclareceu como o governador financiava os seus encontros com acompanhantes do Emperors VIP Club com uma empresa fantasma.   Segundo o jornal New York Post, Andréia teria relatado o método usado por Spitzer para remunerar o clube, afirmando que ele faria depósitos na conta de uma empresa fantasma, a QAT Consultoria, ligada à Emperors. A Promotoria americana ainda investiga os movimentos ilegais na conta do governador e a possibilidade dele ter usado verba de sua campanha e até mesmo pública para financiar os encontros - prática considerada crime, pois implica em usar esse tipo de recursos para fins pessoais.   O jornal afirma ainda que Andréia trabalhou para a Emperors antes de abrir a sua própria agência de encontros. Segundo o processo, ela teria sido presa quando afirmou a um policial à paisana com gravador e microcâmera que liderava a rede de prostituição desde 2001. Ela também foi acusada de tentar comprar um andar inteiro do Hotel Plaza, na 5.ª avenida, com dinheiro da máfia italiana.   Andréia está na cadeia desde 1 de junho de 2006, quando estourou o escândalo, destaque nos tablóides nova-iorquinos. Um acordo entre o advogado de defesa, Anthony Lombardino, e o promotor Artie McConnell evitou que Andréia ficasse mais anos na prisão - que já tinha cumprido 20 meses de pena -, mas ela teve de se declarar culpada nas acusações de prostituição e posse de droga. Nos casos de tráfico e lavagem de dinheiro, a sentença poderia variar de 15 anos de detenção a prisão perpétua.   Andréia perdeu um apartamento no Central Park, avaliado em US$ 1,2 milhão, e cerca de US$ 300 mil foram confiscados de sua conta bancária. Com os bens congelados, Andréia não pagou fiança de US$ 500 mil e respondeu ao processo presa. Pelo acordo, ela terá direito apenas a pertences pessoais e a US$ 150 mil.   A desarticulação da rede de prostituição de luxo de Andréia arranhou a credibilidade de dois altos executivos de grandes empresas, ambos casados. O escândalo teve reflexos na Time Warner e na consultoria de negócios Barrett & Associates - que dispensou seu diretor de Investimentos, Robert Voccola, de 69 anos. O executivo estava no apartamento de Andréia na noite em que a polícia a prendeu, com mais duas mulheres.   Andréia já morou na Itália e chegou a Nova York há sete anos. Em 2002, ela se casou com um analista de fundos de investimento, que hoje trabalha em Hong Kong. Amigos de Andréia dizem que ela fez dinheiro no mercado imobiliário da cidade e foi denunciada à polícia por uma rival irlandesa. Com Andréia, foram detidas a coreana Minatee Park, de 32 anos, e a brasileira Cláudia Figueira de Castro, de 28, acusadas de trabalhar para ela. Ambas pagaram fiança de US$ 1 mil e respondem ao processo em liberdade.   Escândalo do governador   Spitzer renunciou na quarta-feira após a revelação de seus vínculos com uma rede de prostituição. Ele é investigado por promotores federais pela tentativa de esconder a origem e o destino do pagamento de programas com prostitutas, valor que pode chegar a US$ 80 mil. Ele teria ainda pedido pelo deslocamento de uma das mulheres do clube, Ashley Alexandra Dupré, conhecida como Kristen nos jornais no mundo todo, de Nova York para Washington D.C. O transporte de pessoas de um Estado para outro "com propósitos imorais" é considerado crime.   (Com Tonica Chagas e Camila Viegas, de O Estado de S. Paulo)

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