Briga por reeleição ilimitada marca 10 anos de Chávez no poder

Presidente pede mobilização por emenda para permanecer no cargo; oposição repudia reforma constitucional

Agências internacionais,

07 de dezembro de 2008 | 07h40

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, comemorou no sábado, 6, os dez anos de sua primeira eleição convocando simpatizantes a uma "mobilização nacional" para apoiar o projeto de emenda constitucional que poderá legalizar a reeleição presidencial sem limites de candidaturas.   "Chamo ao povo a mobilizar-se, em batalha (...) para aprovar a emenda. Uma vez aprovada a emenda constitucional (...) este soldado se preparará para transcender o ano de 2012 e para conduzir o povo heróico da Venezuela pelo menos até 2019, quando consolidemos o terceiro período da revolução bolivariana", afirmou Chávez, diante de centenas de milhares de simpatizantes que festejavam nos arredores do Palácio de Governo, em Caracas. Aos gritos do lema "Uh, ah, Chávez não se vá", o mandatário explicou como deverá ficar o artigo da Constituição que será sujeito à modificação, ao afirmar que não pretende "perpetuar-se no poder", como afirmam seus opositores. "Não vamos propor que o período presidencial é de 100 anos (...) se assim fosse, teriam razão em dizer, mas são seis anos (...) aqui haverá eleições presidenciais em 2012."   A oposição argumenta que, com uma nova candidatura de Chávez , o governo utilizará os recursos do Estado e os meios de comunicação oficiais para fortalecer sua campanha, fatores que tornariam desigual a disputa eleitoral à Presidência. Será a Assembléia Nacional, de maioria chavista, que se encarregará de redigir a partir da próxima semana a emenda constitucional respectiva. O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) já disse que está preparado para que o referendo aconteça em fevereiro.   Horas antes da passeata pelos dez anos de Chávez no poder e de apoio para que siga exercendo, os partidos da oposição expressaram formalmente sua rejeição à reeleição, mas disseram confiar que derrotarão a emenda "nas ruas e nas urnas". "Não, presidente, 14 anos são suficientes", disseram os opositores em comunicado, que lembrou que Chávez, a quem atribuíram "ambições ilimitadas de poder", foi eleito pela primeira vez há dez anos.   Chávez já se proclamou pré-candidato para as eleições que em dezembro de 2012 decidirão o período presidencial 2013-2019, mas para isso deverá conseguir em referendo, previsto para fevereiro, a aprovação de uma emenda constitucional que permita a hoje proibida reeleição contínua. A oposição lembrou que a reeleição sem limites foi rejeitada há um ano em outro referendo sobre essa e outras reformas, mas que "se as instituições não funcionam e permitem" que a proposta seja votada novamente, está disposta "a enfrentá-la e a derrotá-la com os votos da grande maioria dos venezuelanos".   Após destacar que a oposição governa "cerca de 50% da população do país" depois das eleições municipais e regionais de 23 de novembro, o comunicado revelou que foi constituído o "Comando Nacional pelo Não". Esse grupo é formado por "equipes que trabalharão em todos os cantos do país para derrotar a ambição de um só homem de perpetuar-se no poder", segundo o comunicado, que "ratifica a confiança no voto como forma de resolver conflitos políticos".   Pressa   Justamente temendo um revés em sua base de apoio, que depende dos subsídios das "missões", analistas consideram que Chávez têm pressa para sancionar a emenda constitucional antes que os efeitos da crise financeira internacional afetem a economia do país e o Executivo tenha que reduzir o gasto social. Segundo a BBC, Chávez afirma que só ele é capaz de conter os efeitos da crise e "proteger ao povo". "Eu estarei aqui até quando Deus quiser e o povo mande", afirmou Chávez.   O Parlamento venezuelano deverá discutir na semana que vem o projeto de emenda, mas a aprovação - que tende a ocorrer com facilidade, já que a maioria dos deputados pertencem à base governista - deverá ser finalizada em meados de janeiro. Depois de passar pelo Parlamento, o projeto será levado ao Conselho Nacional Eleitoral, que terá 30 dias para convocar o referendo - que deve ser realizado em fevereiro.

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