Brigadas reforçam duto para proteger mineiros retidos no Chile

Equipes especializadas trabalharam na madrugada desta segunda-feira para reforçar um pequeno duto que servirá para comunicação e fornecimento de comida a 33 mineiros presos há 18 dias numa mina chilena.

ALONSO SOTO, REUTERS

23 de agosto de 2010 | 09h09

No domingo, os mineiros surpreendentemente usaram uma sonda que chegou ao fundo da galeria para enviar uma mensagem mostrando que estão todos vivos. As autoridades prepararam um plano de resgate que deve levar meses.

"O que estamos fazendo é assegurar o poço. O que temos de fazer é que, por meio desse cordão umbilical com que hoje em dia temos conexão com os mineiros, os mantenhamos vivo," disse André Sougarret, gerente da mina El Teniente, da empresa Codelco, e chefe das escavações para o resgate.

"Isso significa entubar esse poço. Isso será feito durante todo este turno (da madrugada), e às 8h (9h em Brasília) já teríamos a possibilidade de chegar a eles com alimentos e comunicação", acrescentou.

Uma câmara de vídeo que chegou ao fundo da mina comprovou na véspera que os trabalhadores -- sem camisa, com capacetes e muito alegres -- estavam em boas condições de saúde, apesar dos 17 dias retidos após um desmoronamento na mina.

O acidente ocorreu na pequena mina de San José, de onde se extrai ouro e cobre, em pleno deserto do Atacama, cerca de 800 quilômetros ao norte de Santiago.

O Chile é o maior produtor mundial de cobre, e o acidente desencadeou um debate sobre a segurança na mineração e em outras atividades, num país que espera crescer em média 6 por cento ao ano nos próximos quatro anos.

As provas de vida enviadas pelos mineiros provocaram euforia entre seus familiares, autoridades e milhares de pessoas que acompanham o drama do grupo.

"Estávamos adormecidos, e isso foi um despertar, um despertar maravilhoso. Uma explosão de alegria", disse Alonso Contreras, 43, primo de um dos mineiros.

Até o presidente conservador Sebastián Piñera se somou à euforia na noite de domingo. "Viva o Chile, merda!", gritou ele, emocionado, junto a parentes dos mineiros.

Um acampamento batizado de Esperança se formou após o acidente nos arredores da mina, e o clima ali era de festa no domingo.

"A espera é muito diferente agora. É uma espera sem angústia. Isso não acaba, mas estamos com mais esperança de que o final virá", disse o camponês Elias Barrios, 57 anos, irmão de uma vítima.

O encarregado da perfuração disse que o prazo para a retirada dos mineiros é longo, e que só em outubro ou novembro deve haver novidades.

"Temos de fazer já o projeto de engenharia propriamente dito. A primeira estimativa que temos é de três a quatro meses", disse Sougarret.

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