Busca por corpos em ruínas de hotel peruano preocupa equipes

Odor de cadáveres em decomposição em Pisco apontam que número de vítimas do terremoto deve aumentar

Roberto Lameirinhas, enviado especial do Estadão,

21 de agosto de 2007 | 12h16

Uma semana depois do terremoto que o converteu em montanhas de escombros, o cheiro da morte toma conta do centro de Pisco. Além da arapuca em que se transformou a Igreja de San Clemente, cujo desabamento soterrou um número estimado de 250 pessoas, o Hotel Embassy é agora o centro das preocupações das equipes de resgate.   Veja também:  Pisco está praticamente inábitável Equipes carregam avião com mantimentos    Leia mais sobre o assunto na edição desta quarta-feira, 22, do Estado. Os dois primeiros andares do edifício - que até a última quarta-feira tinha cinco - simplesmente desapareceram sob os três restantes. Na terça-feira de manhã, o corpo de um funcionário peruano da empresa argentina Techint, foi removido dos escombros. Mas não sabe mais quantos cadáveres estão sepultados nas ruínas. Pelo odor de corpo em decomposição, sabe-se que há mais mortos ali. Pode ser um ou dezenas. As informações iniciais, segundo apurou o Estado na cidade, são de que pelo menos 15 funcionários e hóspedes do hotel - um três-estrelas de 70 apartamentos - desapareceram.   "O hotel estava lotado", disse uma moradora de Pisco que acompanhava a remoção dos escombros. "Aqui ficavam turistas e gente que vinha de outras partes do país a trabalho. Pessoas a quem os habitantes daqui não procurariam." Ninguém sabe precisar em que momento, dos dois minutos de tremor que chegou a 8 graus na escala Richter, o hotel desabou. O dado, fundamental para que os especialistas estimem quanto tempo os hóspedes tiveram para deixar seus quartos, perdeu-se no terror que tomou conta de cada morador da cidade nos instantes mais agudos do terremoto. Na segunda-feira à noite, máquinas pesadas começaram, finalmente, a trabalhar na demolição dos três últimos andares do prédio, o que permitiria a exploração dos escombros dos dois andares inferiores. A instabilidade das ruínas, que ameaçavam soterrar também os socorristas a cada nova réplica do tremor, é até agora o principal inimigo das equipes de resgate.   Outros pontos A busca por cadáveres também é intensa em outros pontos da cidade. A maior parte dos mortos já foi enterrada no cemitério local - ao qual o terremoto também não poupou -, em cerimônias coletivas e covas abertas às dezenas por retro-escavadeiras. Cerca de 30 mil desabrigados de Pisco, que tinha 130 mil habitantes, já estão nos dez campos montados pela Defesa Civil na cidade, mas muitos dos que perderam as casas ainda resistem a ir para as barracas.   Eles temem que saqueadores roubem os poucos bens que possuíam e permanecem sob os escombros de suas casas. A eletricidade ainda não foi restabelecida totalmente e a segurança é precária.   Os donativos que os peruanos de Lima levaram ao posto de doação do Estádio Nacional no domingo à noite chegaram ao primeiro desabrigado de Pisco, a pouco mais de 250 quilômetros da capital, nas primeiras horas da manhã.   Ajuda   A chegada dos caminhões nessas áreas são saudadas com aplausos pelas vítimas, que só começaram a receber as doações na manhã de sexta-feira, cerca de 36 horas depois do terremoto que destruiu a cidade. Ainda há povoados mais distantes da região da costa sul do Peru onde a ajuda chega mais lentamente.   Em Pisco, o presidente Alan García prometeu instalar nos acampamentos escolas provisórias para que as crianças voltem às aulas o mais rápido possível, como forma de amenizar o trauma que sofreram ao perder suas casas e alguns de seus parentes. O governo vai organizar também frentes de trabalho formadas pelos próprios moradores de Pisco para a limpeza dos escombros. Prevê-se a contratação temporária de 5 mil homens, entre 20 e 55 anos, que receberão 14 sóis (pouco menos de US$ 5) por dia.     Matéria ampliada às 14h25.

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