Calderón sofre derrota em eleição legislativa no México

Economia causa derrota eleitoral do presidente mexicano, que terá terá mais dificuldade para aprovar reformas

Reuters,

06 de julho de 2009 | 08h22

Os eleitores mexicanos puniram o presidente Felipe Calderón no domingo, 5, pela grave recessão e o aumento da criminalidade, impondo ao partido do governo uma dura derrota nas eleições para o Congresso. Beatriz Paredes, líder do Partido Revolucionário Institucional (PRI), afirmou em entrevista que o partido buscará mudanças profundas na economia do país.

 

O resultado ruim do Partido Ação Nacional (PAN) complica os projetos de reforma econômica de Calderón, que precisará do apoio da oposição na câmara baixa do Congresso. A economia mexicana deve afundar mais de 6% este ano, em grande parte devido à recessão nos EUA, enquanto a produção de petróleo, um pilar para o financiamento do governo, está caindo rapidamente. O PRI terá "uma agenda muito clara da necessidade de soluções e de mudanças profundas na questão econômica" mexicana, afirmou Beatriz à Televisa.

Calderón, aliado do presidente norte-americano Barack Obama na luta contra os cartéis de drogas no México, pediu ao Congresso que trabalhe com ele. "A rivalidade deve ser deixada para trás, e agora devemos concentrar os nossos esforços para encontrar um campo de consenso para alcançar os acordos que o país precisa para recuperar o crescimento econômico, a criação de empregos e a segurança pública", disse Calderón num discurso à nação.

O partido do conservador Calderón admitiu a derrota para o Partido Revolucionário Institucional (PRI), que tinha vantagem de quase 9 pontos percentuais com 60% dos votos apurados. A eleição foi uma vitória clara para o ressurgente PRI, que governou o México pela maior parte do século 20, até a derrota do ex-presidente Vicente Fox nas eleições nove anos atrás.

O PRI será o maior partida da Câmara dos Deputados, que teve todas as 500 cadeiras em disputa na votação de domingo, e será uma força para a eleição presidencial de 2012. O PAN não conseguiu criar empregos, o que levou milhares de mexicanos a cruzar a fronteira com os Estados Unidos ilegalmente em busca de trabalho. Roubos e sequestros se tornaram comuns nas cidades mexicanas.

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