Camargo Corrêa pode assumir tarefas da Odebrecht, diz Correa

Líder equatoriano diz que não pedirá permissão "a ninguém" para exercer a soberania de sua nação

EFE

29 de novembro de 2008 | 16h21

O presidente do Equador, Rafael Correa, afirmou hoje que a construtora Camargo Corrêa está interessada em assumir as tarefas da Odebrecht, expulsa do país em outubro por problemas na construção da hidrelétrica de San Francisco. O líder equatoriano se reuniu na sexta-feira com representantes da Camargo Corrêa, à qual se referiu como uma "grande construtora que está muito interessada em construir as hidrelétricas no país e assumir o que a Odebrecht deixou". Correa expulsou a Odebrecht em outubro ao considerar que houve falhas na central hidrelétrica de San Francisco, construída pela empresa brasileira. O presidente criticou a posição adotada pelo Brasil por causa da polêmica, que levou a relação bilateral a uma situação "tensa", nas palavras da ministra das Relações Exteriores, María Isabel Salvador. O Governo brasileiro decidiu convocar a consultas o embaixador em Quito depois de um processo de arbitragem interposto pelo Equador em uma corte internacional, para que resolva as controvérsias de um empréstimo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ao país. Correa assegurou que não pedirá desculpas ao Brasil por sua posição e que também não tem que dar explicações, pois alega que as ações do Governo equatoriano no caso são justas. O presidente considerou que o Governo brasileiro está se "equivocando muito" por ter levado a terreno diplomático um assunto que se limita ao de um Estado contra uma empresa privada. Por isso, insistiu em que o que o Brasil fez "não tem amparo legal, não tem pé nem cabeça". "Não temos por que pedir permissão a ninguém para exercer nossos direitos", disse Correa, ao pedir aos equatorianos, em seu relatório semanal de trabalhos, que se libertem de "complexos" e reivindiquem seus direitos. Para Correa, seu Governo "fez o correto e seguirá fazendo", e advertiu de que enquanto ele for presidente, não pedirá permissão "a ninguém" para exercer a soberania e defender o direito e os interesses de sua nação.

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