Caminhoneiros argentinos decidem suspender piquetes

Os caminhoneiros argentinosdecidiram na sexta-feira suspender os piquetes que ameaçavamprovocar desabastecimento nas cidades, já que os produtoresrurais recuaram na sua recusa em vender grãos. O ministro da Justiça, Aníbal Fernández, disse ajornalistas que o governo estava disposto a acionar policiais emilitares, "sem armas e sem repressão", para interromper osbloqueios nas estradas. "É crucial restaurarmos a livrecirculação de veículos", disse ele. Mas antes que isso fosse necessário os dirigentes de doissindicatos de transportadores anunciaram o fim dos piquetes, umsubproduto da crise entre governo e produtores rurais por causade um imposto sobre exportações. "Decidimos acabar a medida de protesto porque [osruralistas] confirmaram ontem em reuniões e hoje por telefoneque vamos poder carregar grãos e levá-los para o porto", disseCarlos Di Nunzio, presidente da Federação dos TransportadoresRurais, em entrevista coletiva ao lado do secretário nacionalde Transportes. Não está claro quando as estradas serão liberadas e semembros de outros sindicatos seguirão a ordem. Os fazendeiros suspenderam seu locaute (greve patronal) nasemana passada, mas alguns, ainda inconformados com o novoimposto progressivo sobre a exportação de soja, se recusam acarregar seus produtos nos caminhões. Grupos de consumidores e fontes do setor alimentício dizemque os piquetes rodoviários começam a provocar escassez dealimentos e combustível em algumas áreas. "Fazer entregas está realmente complicado. Não conseguimoschegar a certas áreas", disse Ernesto Arenaza, gerente derelações institucionais da fábrica de laticínios La Serenisima. Essa situação pode agravar ainda mais a inflação, que emmaio chegou a 0,6 por cento -- cifra que muitos economistas econsumidores dizem estar sendo "maquiada" pelo governo paraevitar desgastes políticos e os custos da indexação de títulospúblicos. Os produtores rurais suspenderam oficialmente seu protestono domingo, mas ainda esperam retomar as negociações com ogoverno, que já fez ajuste no sistema de taxação progressiva. Rosario, principal porto graneleiro argentino, na margem dorio Paraná, teve o comércio afetado pelos piquetes rodoviários."Já faz três dias que não chega nenhum caminhão", disse umagente. "É muito preocupante. Há navios esperando para seremcarregados." A Argentina é o terceiro maior exportador mundial de soja eo maior fornecedor global de óleo e farelo de soja. China eUnião Européia são seus principais clientes. O conflito agrário na Argentina contribuiu com a atual altaglobal da soja e derruba o valor dos títulos argentinos.Preocupados, muitos argentinos compraram dólares, o que levou oBanco Central a intervir para segurar a cotação do peso. A popularidade da presidente Cristina Fernández caiudurante a crise, iniciada apenas três meses após sua posse. Eladiz que o polêmico imposto é uma forma de combater a inflação,garantir os estoques internos de alimentos e redistribuirrenda. REUTERS MPN MS

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.