Caminhoneiros e produtores rurais entram em choque na Argentina

A greve do setor agropecuário naArgentina, que mantém dezenas de estradas bloqueadas e ameaça adistribuição de alimentos no país, ingressou na quinta-feira emseu 15o dia com choques entre produtores rurais ecaminhoneiros, enquanto o governo preparava uma manifestação deapoio a suas medidas. Há mais de duas semanas, a zona rural da Argentinamantém-se em pé de guerra devido a um aumento nos impostossobre a exportação de grãos, algo visto como uma novaingerência do governo federal no setor agropecuário. Mas a presidente do país, Cristina Fernández, segundo aqual os negócios do setor continuam a ser altamente rentáveis,não dá sinais de que cederá às pressões. Em Córdoba, a principal Província produtora de roja daArgentina --o maior exportador mundial de derivados dessaplanta --, os caminhoneiros, indignados com o fechamento dasestradas, perderam a paciência e lançaram-se contra osprodutores rurais. Alguns deles desceram de seus veículos e começaram aretirar das rodovias cadeiras, paus e outros artefatos. Outroscontornaram um veículo colocado em uma estrada e acusaram osmanifestantes de espalhar objetos metálicos nas pistas a fim deperfurar seus pneus. O conflito já tornou escassa a oferta de carne e laticíniosem vários supermercados de Buenos Aires, ao passo que a decisãode Cristina sobre não negociar com os manifestantes provocavaenfrentamentos violentos entre manifestantes pró e contra ogoverno. Na quarta-feira à noite, o governador da Província deBuenos Aires, Daniel Scioli --tido como um político com bomdiálogo com vários setores--, surgia como uma figura empotencial para mediar um contato entre o setor agropecuário e ogoverno. No entanto, na quinta-feira, essa possibilidade foidesmentida por representantes da dirigente argentina, o que fazcom que o embate permaneça no mesmo ponto em que estava desdeseu início, 15 dias atrás. Enquanto os ministros do governo federal continuavamassegurando que não haverá negociações até que se retome a"sensatez" e se suspenda a greve, setores aliados da líder dopaís e o ex-presidente Néstor Kirchner organizavam umamanifestação para a tarde de quinta-feira a fim de mostrar oapoio popular a suas medidas. Nesse ato, a única pessoa a discursar deve ser Cristina,que ganhou com facilidade as eleições de 2007 com o apoio desetores mais pobres da sociedade argentina, em especial daregião urbana que cerca Buenos Aires. "Néstor Kirchner realizará hoje um ato com os líderes debairros (de Buenos Aires). Eles são os únicos que podemacompanhá-lo; os moradores da zona rural estão mais próximosdas manifestações do que do poder central", escreveu ocolunista Joaquín Morales Solá, no jornal La Nación. (Reportagem de César Illiano)

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