Campanha de Cristina teve outras 'malas de dólares', diz jornal

FBI afirma que a remessa de dólares venezuelanos para a Argentina começou antes da prisão de empresário

Agências internacionais,

19 de dezembro de 2007 | 08h22

As gravações nas mãos da Polícia Federal americana (FBI) envolvendo o escândalo da maleta, os quase US$ 800 mil levados ilegalmente para a Argentina neste ano por um empresário venezuelano e que seriam destinados à campanha presidencial, revelam que existiram mais "malas". Segundo a edição desta quarta-feira, 19, do jornal argentino La Nacion, o envio de "fundos adicionais" para a campanha presidencial foi muito mais amplo e começou bem antes dos dólares apreendidos em agosto com Guido Antonini Wilson.   O anúncio foi feito pelo promotor federal Thomas Mulvihill, responsável pelo caso nos Estados Unidos, onde quatro pessoas foram presas pelo caso, acusados de atuar como "agentes ilegais" da Venezuela. Segundo a autoridade, um dos depoimentos relata que o dinheiro ilegal seria usado na campanha da atual presidente argentina, Cristina Kirchner, que mais remessas como esta foram feitas para a campanha e que os governos de Buenos Aires e Caracas aceitaram manter em sigilo o financiamento venezuelano.   O jornal diz que a possibilidade da utilização de "fundos adicionais" é, por enquanto, somente uma especulação e que diversas fontes ligadas ao governo Kirchner negaram as acusações do financiamento venezuelano. Uns afirmaram que o dinheiro não seria usado por uma questão de princípios, outros por afirmar que a verba não seria necessária, além de que US$ 800 mil seria uma quantia pequena para uma campanha.   Somente Antonini viajou pelo menos 6 vezes para a Argentina entre março de 2006 e agosto de 2007. Durante a prisão, em 4 de agosto, ele afirmou que o dinheiro ilegal encontrado na maleta seria usado em uma "transação imobiliária".   A legislação argentina não proíbe a doação de fundos por parte de entidades estrangeiras para campanhas eleitorais, desde que a verba seja declarada por cada equipe de campanha perante a Justiça Eleitoral.

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