Campanha eleitoral argentina entra em contagem regressiva

Eleição está marcada para 28 de outubro e Cristina Kirchner, esposa do atual presidente, lidera pesquisas

Ariel Palacios,

30 de agosto de 2007 | 10h38

Começou a contagem regressiva para as eleições presidenciais argentinas, que serão realizadas daqui a 58 dias. Marcadas para o 28 de outubro, a campanha promete estar marcada por denúncias de casos de corrupção contra o governo do presidente Néstor Kirchner, que pretende permanecer no poder por intermédio da candidatura de sua própria esposa, a primeira-dama e senadora Cristina Fernández de Kirchner. A candidata do governo ostenta, atualmente, a liderança nas pesquisas de opinião pública. Em média, possui uma intenção de votos que oscila entre 41% e 50%. Ela é candidata pelo Frente pela Vitória, uma sublegenda do Partido Justicialista (Peronista). Na terça-feira à meia-noite terminou o prazo para o registro de alianças eleitorais. No dia 8 de setembro conclui o prazo para o registro de candidaturas presidenciais. Na última quarta, deslanchou oficialmente o período de campanha eleitoral para deputados e senadores. Apesar do pouco tempo que resta para a eleição, muitas candidaturas ainda estão indefinidas. Um dos poucos casos definidos é o de Cristina Kirchner, que terá como vice o governador de Mendoza, Julio Cobos, representante da ala dissidente da União Cívica Radical (UCR) que aliou-se ao casal Kirchner. Seu grupo, que reúne os governadores e a maioria dos prefeitos desse partido é denominada ironicamente de "Radicais-K". Outro candidato é o ex-ministro da Economia, Roberto Lavagna, do partido centro-progressista Uma Nação Avançada (UNA), cujo vice é Gerardo Morales, do setor da UCR que preferiu ficar na oposição. Seu setor é denominado de "Radicais-L", em alusão a sua aliança com Lavagna. A ex-deputada Elisa Carrió é a representante da centro-esquerda com a Coalizão Cívica (CC). No entanto, ainda não conta com candidato a vice. Nesta semana, fracassou a tentativa de aliar-se com o ex-ministro da Economia, Ricardo López Murphy, do partido de centro-direita Recrear. López Murphy não conseguiu um acordo com Carrió e decidiu manter seu projeto original, de ser candidato a presidente. Seu vice será o deputado Esteban Bullrich, descendente de uma das mais aristocráticas famílias do país. López Murphy tem um apoio parcial do prefeito eleito de Buenos Aires, Mauricio Macri, do partido Compromisso pela Mudança (CpC). Juntos, integram a coalizão de centro-direita Proposta Republicana (PRO). Macri somente destinará seu apoio a López Murphy na cidade de Buenos Aires. No resto do país seu partido respaldará outros candidatos. Segundo diversas pesquisas, Cristina Kirchner contaria com uma faixa de intenção de votos que oscila entre 41% e 51%. Disputando o segundo lugar estariam Lavagna e Carrió, em uma faixa entre 10% e 16% dos votos cada um. López Murphy contaria com 5% dos votos. Segundo a Constituição argentina, vence no primeiro turno o candidato que conseguir mais de 40% dos votos, caso tenha uma vantagem de 10% em relação ao segundo colocado. O formato de "ballotage" argentino é sui generis na América Latina. No dia 28 de outubro, os argentinos, além de votar para presidente, renovarão metade da Câmara de Deputados (130 cadeiras) e um terço do Senado (24 cadeiras).

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