Campanha presidencial paraguaia chega à reta final

Os candidatos a presidente do Paraguaise preparam nesta quinta-feira para encerrar suas campanhaspara a eleição de domingo, na qual um ex-bispo pode pôr fim amais de seis décadas de hegemonia do centro-direitista PartidoColorado. Não há segundo turno no Paraguai, de modo que o candidatocom mais votos no domingo será eleito. O ex-sacerdote Fernando Lugo, candidato por uma coalizão decentro-esquerda, lidera as pesquisas com uma pequena vantagemsobre a governista Blanca Ovelar. O vencedor toma posse em 15de agosto. A oposição afirma que o governo prepara uma fraude, emboraobservadores internacionais digam que as condições eleitoraisestão normais. A tensão cresceu nesta semana, quando o presidente NicanorDuarte Frutos alertou sobre a presença de grupos de agitadoresestrangeiros, supostamente próximos a Lugo, que estariaminteressados em causar incidentes no domingo. "Essa guerra suja não teve efeitos, acho que a cidadaniaparaguaia hoje é diferente de há 10 ou 5 anos. Houve mudançasna mentalidade de muita gente, especialmente mudançaspolíticas", disse Lugo na quinta-feira ao canal 13 local. "Estou com esperança, há uma esperança que não é esmagadapelos problemas", acrescentou o candidato, que promete acabarcom décadas de pobreza e corrupção em um dos países maisdesiguais da América do Sul. Ovelar, ex-ministra, encerrou sua campanha na noite dequarta-feira com um comício que reuniu entre 80 mil (segundo apolícia) e 130 mil pessoas (segundo os organizadores). "Confiem em mim. Sou uma mãe que sabe o que é sacrifício, oque é o esforço para ir adiante", disse Ovelar, mãe de trêsfilhos e primeira mulher candidata a presidente na história dopaís. Vários candidatos participaram nesta tarde de um últimodebate pela TV. Lugo, porém, ausentou-se, alegando falta de"condições políticas" devido aos ataques dos adversários. O ex-presidente colombiano Andrés Pastrana, chefe dosobservadores da Fundação Internacional para SistemasEleitorais, disse que até agora não foram vistasirregularidades. "A recomendação que fazemos aos candidatos é baixar osânimos, porque é importante que não fiquem feridas depois dacampanha eleitoral, assim como que exista tranquilidade durantea espera pelos resultados", afirmou ele a jornalistas. (Com reportagem adicional de Mariel Cristaldo)

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