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Camponeses paraguaios negam ataque a fazendeiro brasileiro

Organizações de camponeses paraguaiosnegaram nesta sexta-feira responsabilidade pelo ataque a umafazenda produtora de soja de um brasileiro, como parte de sualuta contra o uso inadequado de agrotóxicos. A propriedade do brasileiro Nabor Both, situada nalocalidade de Horqueta, cerca de 470 quilômetros ao norte deAssunção, foi atacada por um grupo não identificado queincendiou um depósito com produtos e máquinas agrícolas. O incidente, ocorrido na noite de quarta-feira, mas sódivulgado nesta sexta-feira, causou prejuízos estimados em 400mil dólares. Both responsabilizou os camponeses da localidade vizinha deCuruzú de Hierro, com quem ele mantém uma disputa judicial pelomau uso de herbicidas em sua plantação de 1.200 hectares desoja. A Mesa Coordenadora de Organizações Camponesas (MCNOC), queestá processando Both, afirmou que seus associados não recorrema medidas violentas e atribuiu o ataque a grupos denarcotraficantes que operam na região. "Quero rejeitar toda a responsabilidade sobre o ocorrido.Trata-se de uma guerra por território com a máfia da maconha",disse o líder da MCNOC, Luis Aguayo, a uma rádio local. "A mecanização (da lavoura) atropela o território da máfiada droga e aumenta o movimento na região, dando maiorvisibilidade a suas atividades e a esta questão básica." Os conflitos entre camponeses e os fazendeiros que usammáquinas por causa do uso de herbicidas nas plantações de sojase intensificaram a partir de 2004 no Paraguai, onde a áreaocupada por essa cultura se expandiu com rapidez na últimadécada. Camponeses e defensores do meio ambiente que se opõem aouso de agrotóxicos têm denunciado numerosos casos deintoxicações e contaminação de recursos hídricos e semobilizado mais para impedir as pulverizações perto de suasmoradias. No lugar do ataque foram encontrados folhetos de umasuposta organização denominada Exército Paraguaio do Povo, coma inscrição: "Aqueles que matam o povo com agrotóxicos pagarãoda mesma forma". Aguayo disse que os folhetos foram uma armação do governo,que tenta criminalizar a luta social. "Ninguém conhece esse grupo. A polícia planta coisas paraprejudicar a luta social. Essa é uma velha prática da ditadura,que continua vigente", disse Aguayo. (Reportagem de Mariel Cristaldo)

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