Candidato conservador é favorito em segundo turno no Chile

O bilionário conservador Sebastian Piñera lidera a apuração da eleição presidencial chilena e, nesta segunda-feira, era apontado como favorito para vencer o segundo turno e comandar uma mudança de regime no país após 20 anos de governos esquerdistas.

SIMON GARDNER E ALONSO SOTO, REUTERS

14 de dezembro de 2009 | 08h04

Piñera, magnata do setor aéreo que ocupa a posição de número 701 da lista de mais ricos da Forbes, ficou com 44 por cento dos votos na eleição de domingo, aquém dos 50 por cento necessários para uma vitória no primeiro turno, segundo a apuração oficial quase definitiva.

Foi a primeira vez que a direita ficou com a maioria dos votos numa eleição presidencial no Chile, grande produtor de cobre e exportador de frutas, vinho e salmão.

No dia 17 de janeiro, Piñera disputará o segundo turno contra o ex-presidente Eduardo Frei, que ficou com 29,6 por cento dos votos, apesar da grande popularidade de sua colega de coalizão, a presidente Michelle Bachelet.

Se Piñera vencer em janeiro, ele não deve promover uma mudança dramática nas políticas austeras e moderadas que a centro-esquerda promoveu por duas décadas, e que tornaram o Chile um farol de estabilidade e altos padrões de vida na região.

Tanto Frei quanto Piñera buscam agora o apoio do independente Marco Enríquez-Ominami, que dividiu a esquerda após sair da coalizão governamental e ficou fora do segundo turno ao obter 20 por cento dos votos.

"Quero dizer a todos aqueles que não nos apoiaram que vamos receber todos aqueles que querem a mudança real de braços abertos", disse Piñera no final de domingo. "Compartilhamos com Marco e com seus simpatizantes um desejo firme por mudanças."

A vitória de Piñera no primeiro turno parece ter menos a ver com sua plataforma --que inclui promessa de crescimento econômico de 6 por cento e incentivos fiscais a empresas-- do que com a condição frágil em que está a coalizão governista, a Concertación.

Muitos eleitores acreditam que a esquerda não fez o suficiente para distribuir os bilhões de dólares obtidos com os ganhos vindos do cobre por meio de programas sociais e melhoras na educação e na saúde.

Frei pediu aos simpatizantes de Enríquez-Ominami que o apoiem, mas o candidato derrotado no primeiro turno, um ex-produtor de filmes de 36 anos, disse que não apoiará nenhum candidato no segundo turno.

(Reportagem adicional de Rodrigo Martínez, Antonio de la Jara, Alvaro Tapia, Aaron Nelsen e Gabriela Donoso)

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