Candidato opositor critica Evo por despesas de campanha

Presidente boliviano teria gasto "mais de US$ 50 milhões" em publicidade para garantir reeleição neste domingo

Efe,

02 de dezembro de 2009 | 04h45

O candidato de oposição à Presidência da Bolívia, Manfred Reyes Villa, criticou o presidente Evo Morales pelas despesas em sua campanha para as eleições gerais que acontecem no próximo domingo.  Após encerrar sua campanha eleitoral em La Paz, Reyes Villa disse à imprensa que "foi um insulto à pobreza o gasto de tantos milhões de dólares" pelo partido governista Movimento ao Socialismo (MAS) para conseguir a reeleição de Evo.

 

O governador regional, que disputa a Presidência pela força Plano Progresso para a Bolívia - Convergência Nacional (PPB-CN), acusou o governo de ter gastado "mais de US$ 50 milhões" somente em publicidade.

Reyes Villa garantiu que vai apresentar à população um relatório das despesas de sua campanha, na qual, garante, não gastou "nem 1% do que gastou o partido do governo".

 

Ele acusou ainda o Executivo de ter investido grandes quantias de dinheiro para "transferir gente" às regiões de maioria opositora para conseguir resultados favoráveis no pleito do próximo domingo. "Nós não necessitamos transferir gente, aí estão as pessoas que têm convicção em uma mudança real, em uma mudança positiva, sem demagogia, em uma mudança que responda às expectativas da maioria dos bolivianos sem exclusões", disse.

 

Ameaça de prisão

 

A cinco dias das eleições presidenciais bolivianas, o presidente Evo Morales, favorito à reeleição com 55% das intenções de voto, ameaçou levar à prisão seu principal concorrente, o conservador Manfred Reyes Villa, que teria, segundo pesquisas locais, 18% de apoio do eleitorado."Vamos mudar a Justiça e os dois vão para a cadeia", disse Evo, em referência a Reyes Villa, que é investigado por corrupção no período em que esteve à frente do Departamento (Estado) de Cochabamba, e seu vice, Leopoldo Fernández, ex-governador da Província de Pando.

 

Fernández já está detido há mais de um ano em La Paz, esperando por uma decisão da Justiça sobre o massacre de 11 camponeses aliados de Evo, em setembro de 2008, quando distúrbios entre partidários e adversários do governo varreram o país. "Fernández inventa sua candidatura para sair da cadeia, enquanto Reyes Villa faz o mesmo para não entrar na prisão", disse o presidente, que se refere a ambos como "delinquentes que roubam o dinheiro do povo". Uma ordem da Justiça boliviana já impede Reyes Villa de deixar o país. Ele acusa o governo Evo de perseguição política e diz ter certeza de que será preso após o fim da campanha.

 

O porta-voz da frente PPB-CN, Erick Fajardo, garantiu que Reyes Villa "não se preocupa" com essa ameaça, pois considera que Evo tenta "ganhar auto-confiança" com esse tipo de declarações. O candidato de oposição percorreu as ruas do centro de La Paz junto a seguidores e fechou sua campanha regional em ato realizado em um cinema da cidade. Antes, Reyes Villa tinha fechado sua campanha na região central de Cochabamba no domingo passado e prevê fazê-lo amanhã em Tarija (sul do país) e na quinta-feira em Santa Cruz (leste).

 

Recadastramento

 

Nos últimos meses, mais de 400 mil eleitores bolivianos tiveram seus títulos eleitorais suspensos. Apenas metade desse grupo conseguiu colocar seus documentos em dia, enquanto aproximadamente 200 mil pessoas permaneciam excluídas dos cadastros por irregularidades detectadas pela Justiça.

 

A porta-voz do Tribunal Eleitoral, Roxana Ibernegaray, disse que a demanda pelo recadastramento provocou o colapso do sistema na segunda-feira. A eleição de domingo definirá um novo mandato presidencial, além de renovar toda a Assembleia Legislativa da Bolívia.

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