Candidatos à presidência do Chile pedem votos de homossexuais

Os candidatos à presidência do Chile saíram em busca do voto das minorias sexuais em um reflexo da concorrida disputa para a eleição de domingo, mas também de uma mudança cultural em um país que quer se livrar da fama de conservador.

ALVARO TA, REUTERS

09 de dezembro de 2009 | 15h10

O Chile, onde até pouco tempo atrás não existia lei de divórcio, agora tem um espaço nos canais de televisão para a propaganda eleitoral em que a participação de casais homossexuais roubou a cena.

Há quatro anos, a campanha da atual presidente, Michelle Bachelet, atreveu-se a incorporar homossexuais, mas foi agora que a mensagem cruzou todo o espectro político.

As sondagens apontam como favorito o empresário e líder da oposição de centro-direita Sebastián Piñera, que possivelmente disputará o segundo turno em 17 de janeiro com o ex-presidente Eduardo Frei.

Embora os dois candidatos católicos tenham declarado que o casamento é a união entre um homem e uma mulher, ambos se mostraram dispostos a regulamentar as uniões de pessoas do mesmo sexo nas questões de herança e dos benefícios de saúde.

Um terceiro candidato que aparece mais atrás nas pesquisas, o independente de esquerda Marco Enríquez-Ominami, também é partidário dos pactos de união civil.

"Nessas questões a sociedade chilena avança mais que a política, que os meios de comunicação e as instituições", disse o advogado e jornalista Héctor Soto, colunista do diário chileno La Tercera.

"Creio que no futuro os políticos de todas as tendências vão ter de ser muito abertos à diversidade. Não vejo como a política pode escapar disso", afirmou.

NOVOS ARES

Cerca de 70 por cento dos chilenos dizem ser católicos e a Igreja tem um forte peso no país, especialmente nas opiniões da classe dirigente empresarial e nos setores políticos de direita e de centro.

"Este país tem um conservadorismo doentio (...) tem a ver com o tradicionalismo da sociedade chilena", explicou Marta Lagos, diretora da consultoria Mori.

Durante mais de uma década existiu um veto sobre o filme "A Última Tentação de Cristo", de 1988, dirigido por Martin Scorsese sobre a vida de Jesus. O longa só pôde ser exibido no país após a promulgação da lei de qualificação cinematográfica de 4 de janeiro de 2003.

Os chilenos puderam optar pelo divórcio a partir de 18 de novembro de 2004, quando entrou em vigor a nova lei de matrimônio civil. Antes dela, utilizavam uma brecha legal que permitia a "anulação" do matrimônio.

"Por ambos os lados, produz-se uma pressão para que a sociedade reconheça a existência e a relevância de dar lugar e respeito às distintas formas de vida que há no Chile", disse o jornalista José Miguel Izquierdo, analista do Instituto Libertad.

Apesar da inclusão de casais gays na campanha política, o presidente do agrupamento em favor dos direitos de homossexuais, bissexuais e transexuais Movilh não está satisfeito e diz que se deve avançar rápido para uma igualdade jurídica para os casais do mesmo sexo.

"De uma maneira ou de outra, os candidatos estão assumindo os dados da realidade. A homofobia caiu mais de 20 pontos nos últimos anos no Chile", disse Jiménez.

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