Esteban Felix/AP
Esteban Felix/AP

Candidatos à presidência do Chile votaram pela manhã

Nas pesquisas eleitorais, o candidato da oposição ao governo, Sebastián Piñera, lidera com cerca de 45% das intenções, seguido de Alejandro Guillier, da esquerda

Pablo Pereira, enviado especial

19 Novembro 2017 | 15h01

O candidato de centro-direita nas eleições presidenciais do Chile, Sebastián Piñera (Renovação Nacional), votou em Santiago no final da manhã, acompanhado pela mulher, Cecília, na Escola República da Alemanha. Vaiado por um grupo de manifestantes ao deixar o local de votação, Piñera, ex-presidente do país entre 2010 e 2014 e atual líder das pesquisas eleitorais, defendeu a liberdade de expressão, mas condenou a violência. Pouco antes, um grupo de estudantes secundaristas havia invadido o comitê de campanha do candidato no bairro de Los Condes, de onde foi retirado pela polícia.

"A democracia tem de ser uma festa na qual cada um possa expressar livremente suas opiniões, mas sem violência. A violência não pode prevalecer em nosso país", disse o candidato ao deixar o posto de votação. Piñera lidera as pesquisas de opinião, divulgadas no começo do mês, com cerca de 45%, à frente do candidato de centro-esquerda Alejandro Guillier (Força da Maioria), com 23%.

A lei eleitoral chilena não permite a divulgação de pesquisas eleitorais na reta final da campanha e analistas políticos chilenos não arriscam previsões sobre uma eventual vitória no primeiro turno. Guillier, apoiado por boa parte do atual governo socialista de Michelle Bachelet, votou também pela manhã em Antofagasta, no norte do país, por onde é senador.

Para o médico Jorge Veas, de 77 anos, que também votou na escola, o Chile vive dias tensos. "Isso vai explodir. Isso está como placas tectônicas que vão se chocar", disse Veas, acompanhado pela mulher, Cármen Rioseco, ao deixar o local, ainda antes de Piñera votar. Para ele, que votou "como protesto político" em Beatriz Sánchez, a terceira colocada nas pesquisas, o país vive clima de insegurança nas periferias. "Há muita criminalidade que não é registrada, os números da polícia são falsos porque as pessoas nem registram os crimes", afirmou. "Eu voto em Guillier", emendou a mulher. Veas afirmou que não importa se o voto é voluntário ou obrigatório. "O que importa é se há consciência política", afirmou.

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Para Luz Soto-Aguilar, de 86 anos, a alta abstenção na eleição "é culpa desse governo" - o país tem 14,3 milhões de pessoas aptas a votar, mas as autoridades esperam um comparecimento de cerca de 6,5 milhões. Nas últimas eleições presidenciais de 2013, compareceram 49% dos eleitores. Para ela, que não quis revelar o voto, "o país tem de voltar a ter voto obrigatório". O advogado Luis Felipe Prats, de 33 anos, que também votou pela manhã, discorda. Para ele, é preciso haver liberdade de escolha. "Mas é preciso votar para poder cobrar medidas do governo". Acompanhado pelo filho, Felipe, disse que "votar é um dever cívico".

Além da terceira colocada, Beatriz Sánchez (Frente Ampla), de esquerda (14%), os demais candidatos aparecems com índices abaixo dos 10% nas pesquisas: José Antonio Kast, independente, da extrema direita; Carolina Goic (Democracia Cristã); e Alejandro Navarro, também esquerdista, votaram perto do meio dia. A votação começou às 8h local (9h de Brasília), com dia ensolarado na capital do país.

As mesas de votação serão fechadas às 18h. A expectativa é de que uma hora depois já se tenham resultados da apuração para presidente. Os transportes públicos foram liberados para os eleitores, com metrô e ônibus funcionando desde às 7h, de graça. 

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