Candidatos saem de cena antes das eleições argentinas

Campanha está proibida na véspera da votação; candidatos evitam o eleitorado neste sábado

Marina Guimarães, Agência Estado

27 de outubro de 2007 | 12h25

Os principais candidatos à Presidência da Argentina usaram até o último momento permitido na sexta-feira, 26, pela lei eleitoral, para convencer os indecisos. Neste sábado, 27, véspera das eleições, já não podem fazer campanha e todos se mantêm longe dos microfones e dos palcos. A candidata oficial, Cristina Fernández de Kirchner (Frente para a Vitória), viajou com seu marido para a província deste, Río Gallegos. Os demais candidatos permanecem na capital federal.   Veja Também Especial: as eleições argentinas Candidato argentino diz fazer 'contato' com ETs 'Kirchner é o anticristo', diz Menem Governo beneficia entidades e ganha apoio Cristina: 'Não sou Hillary nem Evita' Kirchner seduz interior empobrecido   Cerca de 27 milhões de eleitores estão habilitados para irem às urnas neste domingo, 28. Trata-se da sexta eleição presidencial desde 1983, ano do fim da ditadura militar. Esse é o período democrático mais longo que a Argentina reconhece, desde que se institucionalizou a lei Sáenz Peña, com o voto obrigatório, secreto e universal, em 1912. Será a primeira vez que três mulheres disputam a Presidência, mas nenhuma é candidata escolhida por uma eleição interna de um partido ou representa um legenda tradicional. Todas são representantes de coalizões, como Elisa Carrió e Vilma Ripoll, ou alas dissidentes de seus partidos, como Cristina Kirchner. Ao todo, são 14 chapas.     Haverá mais de 73 mil mesas distribuídas em todo país para eleger, além do novo presidente que comandará o país pelos próximos quatro anos, a partir do dia 10 de dezembro, 130 deputados nacionais, 24 senadores e mais de 300 deputados provinciais.     A eleição deste domingo será a quarta desde que a Constituição da Argentina foi reformada, em 1994, para permitir a reeleição de Carlos Menem - em 1995. Na ocasião, foi instituído o segundo turno eleitoral, caso nenhum dos candidatos supere 40% dos votos com 10% de diferença sobre o segundo colocado. Também não haverá segundo turno se o primeiro colocado alcançar 45% dos votos, sem importar a diferença ante os adversários.       Para entender as eleições       A última eleição argentina, em abril de 2003, foi precedida pela monumental crise de 2001/2002, quando milhões de argentinos ficaram pobres da noite para o dia com o "corralito" (congelamento dos depósitos) e o desemprego. O pleito foi marcado pela singularidade de concorrer três candidatos com a bandeira do Partido Justicialista/Peronista: o ex-presidente Carlos Menem, que obteve 24,34% dos votos, ficando em primeiro lugar; o então governador de Santa Cruz, Néstor Kirchner, que conseguiu 21,99% dos votos e conquistou o segundo lugar; e Adolfo Rodríguez Saá, que ficou no quinto posto. O terceiro colocado foi o economista Ricardo López Murphy, do movimento Recrear, com 16,35% dos votos, e que hoje também é candidato e está em quinto lugar nas pesquisas de intenção de voto.     Naquela eleição, os eleitores não chegaram a 70% dos habilitados e a palavra de ordem era "que se vayan todos" (que todos vão embora). O segundo turno deveria ter ocorrido entre Menem e Kirchner no dia 18 de maio, mas o ex-presidente desistiu de concorrer e foi assim que Kirchner tornou-se o primeiro presidente da Argentina eleito com menos de 22% dos votos. Kirchner assumiu em maio de 2003.     Um ano antes, o país enfrentava grave crise e teve cinco presidentes. O som de panelaços (batucada com panelas) e dos gritos "que se vayan todos", na Praça de Maio, palco de todas as manifestações políticas do país, para protestar contra o "corralito", em dezembro de 2001, acabaram derrubando o governo de Fernando De la Rúa, eleito em outubro de 1999.     Depois de abandonar a Casa Rosada em um helicóptero, o Congresso nomeou o senador Ramón Puerta como presidente interino, que durou somente dois dias, e logo foi sucedido pelo governador de San Luis, Adolfo Rodríguez Saá, o que decretou o default com se fosse uma festa. Saá ficou no cargo só uma semana e foi substituído pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Camaño. Logo depois, um novo acordo entre os caciques do Partido Justicialista permitiu a escolha de Eduardo Duhalde, que governou durante pouco mais de um ano - com a promessa de convocar eleições gerais.     Na ocasião, Kirchner era somente um governador de uma província rica em petróleo. Duhalde foi seu padrinho político para as eleições presidenciais e, hoje, ambos são inimigos políticos que disputam espaço dentro do Partido Justicialista. O ex-presidente não apóia a candidatura de Cristina Kirchner, e alguns observadores da política argentina afirmam que Duhalde terá um papel importante na oposição ao seu governo, se ela for eleita amanhã.

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