Guillermo Suárez/Efe
Guillermo Suárez/Efe

Capriles convoca oposição para eleições estaduais na Venezuela

Integrantes da coalizão oposicionista controlam sete dos 23 Estados e esperam aumentar o número em dezembro

Reuters

10 de outubro de 2012 | 15h09

CARACAS - O candidato derrotado nas eleições presidenciais da Venezuela, Henrique Capriles, tentou animar a oposição no país para as eleições estaduais e disse apreciar o fim da saraivada de insultos vindos do presidente Hugo Chávez. O governador afirmou que já deixou para trás a derrota da noite de domingo por 11 pontos percentuais para Chávez e está pronto para o desafio de dezembro.

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"No domingo, fiquei bastante desanimado, sou dessas pessoas que não conseguem esconder seus sentimentos", disse Capriles, que obteve 44 por cento dos votos em comparação com os 55 por cento de Chávez, que está no poder desde 1999.

"Agora estou de pé...As lágrimas secaram rapidamente. Hoje ainda tenho mais força e energia", disse Capriles, durante uma entrevista coletiva de três horas na noite de terça-feira.

Advogado e político considerado por muitos como o melhor líder da oposição na era socialista de Chávez, Capriles disse que decidirá esta semana se concorrerá à reeleição para governador do Estado de Miranda em dezembro. Fontes próximas a Capriles afirmaram que ele vai concorrer, mesmo que parte da oposição acredite que ele deva buscar construir um papel de liderança nacional e se preparar para outra eleição presidencial.

Integrantes da coalizão da oposição controlam sete dos 23 Estados e esperam aumentar esse número em dezembro. Os candidatos de Chávez, porém, ganharão força com a vitória dele, especialmente porque ele só não venceu em dois Estados do país.

"Perdemos um jogo. Mas superamos isso e agora nós, venezuelanos, temos de pensar sobre o próximo", afirmou Capriles, pedindo que os 6,5 milhões de eleitores que votaram nele apoiem os governadores da oposição.

Durante a campanha, Chávez nunca se referia a Capriles pelo nome. Ele atacava o rival diariamente, chamando-o de "porco", "perdedor", "sicofanta", "fascista", "nada" e "candidato da extrema direita".

Mesmo assim, o presidente parece ter se impressionado pelo reconhecimento rápido de Capriles da derrota e lhe telefonou na segunda-feira. "Peguei o telefone e pensei ‘vamos ver qual apelido ele vai usar'. Finalmente ele me chamou pelo meu sobrenome", afirmou Capriles com um sorriso.

"Eu lhe disse: ‘Sr. presidente, com todo respeito, espero que não continuemos a ouvir insultos e termos depreciadores'...Ele me disse que fiz um esforço grande e que eu deveria descansar e que eu o havia pressionado (durante a campanha)."

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