Isaac Urrutia/Reuters
Isaac Urrutia/Reuters

Capriles critica Chávez por tratamento médico em Cuba

Para candidato da oposição, buscar tratamento fora do país envia 'mensagem terrível' aos venezuelanos comuns

ANDREW CAWTHORNE, REUTERS

14 de março de 2012 | 17h59

MARACAIBO, VENEZUELA - O candidato da oposição na Venezuela, Henrique Capriles, criticou duramente o presidente socialista Hugo Chávez por se tratar de um câncer em Cuba, em vez de confiar nos médicos de seu país. Segundo ele, isso envia uma mensagem terrível aos venezuelanos comuns.

 

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Capriles no geral tem procurado evitar as especulações sobre a condição do presidente, preferindo apenas lhe desejar uma rápida recuperação a tempo para a eleição de 7 de outubro. Aparentemente, será a eleição mais disputada de Chávez em seus 13 anos de governo.

Apesar disso, em seus comentários mais duros já feitos até hoje, o candidato da coalizão da oposição Unidade Democrática disse à Reuters esta semana que a decisão de Chávez de se submeter às cirurgias em Cuba - duas em meados de 2011 e outra no mês passado - e de governar a partir de Havana durante a sua recuperação está errada.

"Ele diz que precisa ser operado no exterior porque não há condições de ele ser tratado no próprio país. O que isso significa para os cidadãos comuns que tiverem câncer?", disse Capriles em uma entrevista a bordo de seu ônibus de campanha no Estado de Zulia, no oeste do país. "Essa é uma mensagem extremamente negativa".

 

Amizade e privacidade 

Além de confiar no serviço de saúde de Cuba, Chávez escolheu fazer o tratamento em Havana em razão de sua estreita amizade com o ex-presidente Fidel Castro e da garantia maior de privacidade na ilha caribenha.

"Se eu estivesse no lugar dele, ficaria na Venezuela. Eu não governaria a partir de outro país", disse Capriles, durante a viagem de campanha na qual busca obter apoio em áreas pró-Chávez.

Cheio de energia aos 39 anos, Capriles, que é governador, diz que quer substituir o socialismo radical de Chávez com um governo de "esquerda moderna" aos moldes do brasileiro, mantendo o melhor das políticas de bem-estar social de Chávez, mas mantendo uma economia de livre mercado.

O candidato planeja realizar algumas visitas internacionais, incluindo Brasil, Colômbia e Europa. Um eventual governo de Capriles esfriaria os laços da Venezuela com Cuba, Irã e Bielo-Rússia, e provavelmente melhoraria as relações do país com o arqui-inimigo de Chávez, os Estados Unidos.

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