Capriles promete concluir obras incompletas de Chávez

O candidato oposicionista à presidência da Venezuela, Henrique Capriles, prometeu nesta terça-feira que, se for eleito no próximo domingo, irá concluir rapidamente obras de infraestrutura que depois de 14 anos de governo de Hugo Chávez ainda não foram terminadas.

Reuters

02 de outubro de 2012 | 18h35

Em tom desafiador, Capriles disse num discurso no Estado de Mérida que irá priorizar em suas primeiras ações a conclusão de usinas elétricas, estradas, hospitais e obras turísticas.

"Quem vai acreditar que depois de 14 anos o que não foi feito será feito agora?", disse o candidato, explorando uma das maiores queixas do eleitorado venezuelano: as frequentes falhas nos serviços públicos, especialmente no interior.

As pesquisas indicam favoritismo de Chávez no domingo, mas Capriles vem crescendo, e essa é a disputa eleitoral mais acirrada que o presidente socialista enfrenta desde a sua primeira eleição, em 1998.

Disputando a preferência de centenas de milhares de indecisos, os dois candidatos percorrem ruas do país inteiro na reta final da campanha.

Capriles, um governador estadual de 40 anos, evitava até agora fazer promessas específicas, e seu plano de governo se baseia principalmente em questões de segurança pública e emprego.

Já o governo se apressa em concluir algumas obras antes da data da eleição.

Na semana passada, Chávez comandou o lançamento de um novo satélite, a incorporação de mais vagões ao metrô de Caracas e a inauguração de um teleférico em um bairro da capital, no que disse ser a "ofensiva final" da sua campanha.

Se for reeleito para mais seis anos, Chávez poderá chegar a duas décadas de poder na América Latina. Ele continua sendo muito popular por causa do seu carisma e dos programas sociais financiados pelos dividendos do petróleo.

Mas a oposição alega que vários desses programas são ineficientes, e insiste que faltam investimentos a setores estratégicos, como o energético, o que teria levado o país a um racionamento elétrico em 2010.

Embora a escassez mais aguda tenha passado, apagões continuam sendo comuns no interior, e a inauguração de usinas prometidas já foi adiada.

O loquaz presidente, de 58 anos, tem adotado um tom emocional em seus últimos discursos, pedindo ao eleitorado uma nova chance para aprofundar sua "revolução socialista", e admitindo que cometeu erros.

Nesta terça-feira, Chávez prossegue numa longa viagem que começou em Barinas, sua cidade natal, e termina na quinta-feira em Caracas com um enorme comício.

"Vim pedir ao comandante que nos ajude a levar nossos produtos ao Mercosul. Ele pode fazer isso", disse o agricultor Honório Linares, 70 anos, que esperava a chegada de Chávez a Yaritagua, uma das cidades atendidas por um novo trem que irá unir as planícies venezuelanas ao centro do país.

(Reportagem de Marianna Párraga e Mario Naranjo)

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