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Caracas acusa Bogotá de esconder dados sobre bases dos EUA

Reunião extra de ministros americanos no Equador é marcada por acusações sobre questões armamentistas

15 de setembro de 2009 | 18h15

A Venezuela acusou nesta terça-feira, 15, a Colômbia de sonegar informações sobre um acordo militar com os EUA, e prometeu por outro lado fornecer detalhes sobre sua negociação com a Rússia para a compra de armamentos, dois assuntos que despertaram preocupação internacional e que dominam uma reunião extraordinária da União de Nações Sul-Americanas (Unasul). O vice-presidente venezuelano, Ramón Carrizález, disse que a recusa de Bogotá em informar sobre o uso de sete bases militares colombianas pelos EUA causa preocupação entre países da região e poderia frear acordos de transparência sobre políticas de segurança.

 

"Não vimos nem letras grandes nem letras pequenas, e isso naturalmente gera preocupação sobre as verdadeiras cláusulas desse acordo", disse ele a jornalistas que acompanham a reunião de ministros de Defesa e Relações Exteriores da Unasul. "A Colômbia se nega a entregar a informação que daria uma linha de transparência e depois da transparência é que se podem gerar mecanismos de confiança", acrescentou. 

 

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De acordo com Carrizález, o governo de Hugo Chávez não se furtará a entregar todos os detalhes do acordo recém-anunciado com a Rússia para a compra de 2,2 bilhões de dólares em armamentos. "Não temos nenhum impedimento em mostrar à Unasul todos os detalhes, porque a confiança começa pela transparência", reiterou.

"O armamentismo é um argumento que se quer colocar para contrapor isso (a negativa da Colômbia). Os países perante uma ameaça, como nos sentimos ameaçados, temos a obrigação constitucional de nos defender", disse o vice de Chávez.

 

IMPASSE VENEZUELANO

 

Durante a reunião, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, também pediu que a Venezuela seja "transparente" na questão da compra de armas. "Nós manifestamos nossa preocupação com o número de compras de armamentos da Venezuela", disse Hillary, acrescentando que "isso levanta a questão se está em curso uma corrida armamentista na região."

No domingo, a Venezuela anunciou que obteve um empréstimo de US$ 2,2 bilhões da Rússia para comprar 92 tanques T-72 e sistemas de mísseis antiaéreos do seu aliado estratégico. O presidente venezuelano, Hugo Chávez descreveu alguns dos armamentos como uma aquisição para "modernizar nossa frota de veículos armados."

 

Pouco depois da declaração americana, a chancelaria venezuelana respondeu dizendo que Hillary "não tem embasamento político nem moral" para pedir transparência na aquisição de armas. "Dizemos que essas declarações não têm embasamento político ou moral", declarou o chanceler Nicolás Maduro a jornalistas, segundo a agência France Presse.

 

POSIÇÃO BRASILEIRA

 

O chanceler brasileiro, Celso Amorim, que também participa em Quito do encontro, reiterou que o Brasil pedirá aos demais países da região garantias de que suas ações na área de defesa não colocarão em risco a soberania dos vizinhos.

 

Em uma breve entrevista concedida antes do início da reunião, o ministro disse que os membros da Unasul têm direito a tomar decisões individualmente, mas admitiu que algumas delas poderiam causar "apreensão". "Por isso, nós temos insistido na questão da transparência, na criação de medidas de confiança e nas garantias", afirmou Amorim.

  

O Conselho Sul-Americano de Defesa, órgão que pertence à Unasul e congrega os chanceleres e ministros da Defesa dos 12 países do bloco, também analisa a criação de mecanismos que possam dar transparência a informações sobre temas de segurança, o que colaboraria para promover a confiança mútua na região.

 

(Com AP, Ansa e Reuters)

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