Carlos Lage, arquiteto das mudanças em Cuba dos anos 90

Ex-vice-presidente redesenhou economia da ilha após o colapso da URSS; ele deixou o cargo assumindo erros

Reuters,

05 de março de 2009 | 17h54

Carlos Lage, conhecido como arquiteto das tímidas reformas econômica da década de 1990 em Cuba, foi destituído nesta semana de todos os seus cargos no governo comunista, e admitiu publicamente que cometeu erros em sua gestão. Médico de 57 anos, ele deixou o cargo de vice-presidente do Conselho de Estado, secretário executivo do Conselho de Ministros e ainda saiu do Comitê Central do Partido Comunista (PCC) e do Parlamento, segundo ele informou em carta divulgada nesta quinta-feira, 5.   Alguns analistas o consideravam, junto com o agora ex-chanceler Felipe Pérez Roque, que também deixou o governo nesta semana, como possível sucessor do ex-presidente Fidel Castro. Sua vertiginosa carreira política começou como líder estudantil na universidade. Em 1976, ingressou no PCC e era membro de seu comitê central desde 1980.    Veja também: Pérez Roque, uma carreira meteórica interrompida em Cuba Dirigentes cubanos destituídos renunciam e admitem 'erros' Leia íntegra das cartas de renúncia dos dirigentes cubanos Fidel reaparece em foto ao lado do presidente dominicano EUA buscarão paz com Cuba com ajuda do Brasil, diz jornal Fidel acusa ex-aliados de ''ambição'' e justifica mudanças no governo   Lage cresceu politicamente ao lado de Fidel como integrante de sua equipe de assessores mais próximos, e em 1993 foi eleito como um dos seis vice-presidentes do Conselho de Estado. Foi nessa época que se desenhou a abertura de Cuba ao capital estrangeiro, ao turismo e à livre circulação de dólares americanos, para driblar a crise econômica gerada após o colapso da União Soviética, primeiro sócio comercial da ilha.   Cuba abriu-se também para a criação de cooperativas agrícolas e deu luz verde a pequenos negócios privados. Apesar de Fidel ter revertido algumas mudanças em 2003, empresários estrangeiros viam Lage como um político pragmático, aberto a mudanças econômicas. O ex-vice-presidente, que também estudou e cresceu com a revolução encabeçada por Fidel, era um dos mais fervorosos defensores de sua "continuidade", mesmo com o ex-presidente enfermo, substituído por Raúl Castro em 2008.   "Em Cuba, não haverá sucessão, haverá continuidade. Não seria possível outro Fidel, nada o imitará, muitos o seguirão", declarou Lage, durante a comemoração de 80 anos do ex-líder, que nesta semana o acusou indiretamente em uma carta de ter desempenhando "papel indigno", junto com Pérez Roque.

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