Carros achados na Argentina podem ser de esquadrões da morte

Investigadores argentinos localizaram 43 carros Ford Falcon que podem ter sido usados por esquadrões da morte responsáveis pelo sequestro e desaparecimento de dissidentes durante o regime militar de 1976 a 1983, segundo documentos judiciais divulgados nesta terça-feira.

LUIS ANDRES HENAO, REUTERS

27 Março 2012 | 20h08

Os Falcons evocam lembranças horripilantes na Argentina, porque eram usados para levar suspeitos de serem ativistas de esquerda para interrogatórios durante a "Guerra Suja" que matou até 30 mil pessoas.

Os carros, enferrujados e cobertos de poeira, têm mais de 30 anos e foram encontrados em um galpão da base naval de Puerto Belgrano, na província de Buenos Aires.

Os investigadores agora vão procurar marcas de sangue, cabelos ou qualquer outra pista que possa vincular os veículos à "Guerra Suja", como parte de uma investigação judicial de crimes contra a humanidade, de acordo com os documentos publicados pela agência de notícias oficial do Judiciário.

"Esse modelo de carro efetivamente contribuiu com as sombrias ações militares, permitindo o sequestro e transporte de incontáveis pessoas, tornando-se também um símbolo que semeava o terror", dizem os documentos.

Separadamente, a agência de notícias do Judiciário disse que os investigadores procuram pistas em aviões de uma base aeronaval e de um museu aeronaval próximos, pois possivelmente eles foram usados nos "voos da morte', em que presos políticos eram sedados e atirados no rio da Prata.

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