Cartas de reféns revelam drama nos cativeiros das Farc

Provas de vida de cativos da guerrilha colombiana mostram uma realidade de doenças, angustia e exaustão

PATRICK MARKEY, REUTERS

15 de janeiro de 2008 | 17h26

Cartas enviadas por reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), mantidos em cativeiros nas selvas colombianas, revelaram nesta terça-feira, 15, como é a vida nos cativeiros da m,aior guerrilha da América Latina. Em muitos casos, os relatos são de pessoas acorrentadas, enfraquecidas por doenças e pedindo desesperadamente que líderes como Fidel Castro contribuam para sua libertação.   Lula: 'É abominável essa história de seqüestros'Farc insistem em desmilitarização Consuelo volta à Colômbia com provas de vida Consuelo se reúne com familiares de reféns Parentes pedem que Farc tirem correntes  Ex-refém diz ser mentido acorrentado   Os bilhetes e fotos dos reféns foram levados aos parentes das vítimas pela ex-deputada Consuelo González, libertada na semana passada após cerca de seis anos em poder das Farc. Ainda há 44 reféns políticos, que a guerrilha pretende trocar por militantes presos, além dos cerca de 700 usados para fins de extorsão.  Capturado há quase uma década, o coronel da polícia Luis Mendieta escreveu que os reféns estão doentes e desanimados. Vivem há anos submetidos a longas marchas na selva, dormindo em acampamentos infestados de mosquitos. "Não é a constante dor física que nos fere, nem as correntes nos nossos pescoços que nos atormentam, nem a doença constante, é a agonia mental da irracionalidade disso tudo", diz uma das cartas assinadas por Mendieta e por outros, lidas numa rádio local. "Parece que não valemos nada, que não existimos." Mendieta contou que fica acorrentado a um poste e se distrai jogando cartas e aprendendo inglês e russo com um companheiro. Uma doença o obrigou a ser carregado várias vezes em redes. Injeções melhoraram a situação de suas pernas e pés, mas às vezes ele não consegue andar. "Eu tinha de me arrastar para o banheiro pelo barro para minhas necessidades, unicamente com a ajuda dos meus braços, porque não podia me levantar", contou na carta lida, aos prantos, por sua filha Jenny. Fotos de má qualidade mostram Mendieta com o ex-governador Alan Jara, com o ex-deputado Luis Eduardo Gechem e com outros policiais sequestrados, vários deles há mais de cinco anos. Em outra carta, lida pela mulher de Gechem, Lucy, o ex-deputado pede a ajuda de Cuba, onde ocorreram negociações preliminares com a segunda maior guerrilha colombiana, o (Exército de Libertação Nacional, ELN). As Farc demonstram admiração pela Revolução Cubana. "Ao presidente Fidel Castro lhe peço, lhe suplico em sua vida um gesto adicional por humanidade. Salve esta vida, comandante Castro!", disse Gechem. González foi solta na semana passada, junto com a ex-candidata a vice-presidente Clara Rojas, graças à intervenção do presidente venezuelano, Hugo Chávez. No fim de semana, Rojas reencontrou depois de três anos em Bogotá seu filho, Emmanuel, que nascera em cativeiro e havia sido separado dela.

Tudo o que sabemos sobre:
ColômbiaRefénsFarc

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.