Cartas para Granma são nova forma de expressão dos cubanos

Os cubanos dispõem atualmente de um novocanal para manifestar suas opiniões: cartas enviadas ao editordo jornal Granma, do Partido Comunista, que controla o país. Na sexta-feira, o diário publicou cartas favoráveis econtrárias às reformas analisadas pelo novo presidente de Cuba,Raúl Castro. Um missivista defendeu a eliminação do sistema de duasmoedas, uma grande fonte de reclamações entre os moradores dailha, que recebem em pesos cubanos, mas precisam comprar muitasmercadorias na moeda forte do país, os pesos conversíveis, quevalem 24 vezes mais. A publicação das cartas representa uma novidade em um paísno qual os meios de comunicação são controlados por um Estadode partido único que não permite o funcionamento de veículosindependentes e que costuma reprimir os dissidentes. Essa medida oferece uma maneira a mais de estimular odebate público iniciado por Raúl após ter assumido o controledo governo quando Fidel, seu irmão, ficou doente, na metade de2006. Fidel não aparece em público desde então e, no mêspassado, o irmão o substituiu oficialmente no comando do país,depois de quase 50 anos. Raúl incentivou os cubanos a falarem sobre os problemas queprecisam ser sanados na ineficiente economia que herdou doirmão. As cartas para o editor do Granma começaram a serpublicadas na sexta-feira passada em uma edição especial dodiário, com 16 páginas ao invés das usuais oito. "A idéia é mostrar à opinião pública o que o povo estápensando. É o povo que escreverá as cartas", disse umjornalista do Granma, que não quis ter sua identidaderevelada.

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