Casa Branca fala em reforma migratória após lei do Arizona entrar em vigor

Lei SB1070, primeira do país que criminaliza imigrantes sem documentos, teve partes polêmicas vetadas

Efe,

29 de julho de 2010 | 21h44

 

WASHINGTON- A Casa Branca afirmou nesta quinta-feira, 29, que uma reforma migratória integral é a única solução que resolverá definitivamente disputas como vivida no Arizona pela nova lei de imigração estadual.

 

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Em sua coletiva de imprensa diária, o porta-voz do governo Obama, Robert Gibbs, discutiu a decisão da juíza federal Susan Bolton de bloquear partes chave da lei SB1070, que entrou em vigor hoje, entre elas a obrigação dos agentes policiais de interrogar pessoas suspeitas sobre seus status migratório.

 

"Todos entendemos a frustração do Arizona e dos estados fronteiriços (sobre o problema da imigração ilegal), mas acreditamos que ao invés de uma batalhão de 50 leis estaduais, o Congresso tem de atuar para colocar em marcha uma reforma migratória exaustiva", disse o porta-voz.

 

Gibbs também defendeu o processo da Justiça Federal contra a Lei SB1070, que argumenta que o governo federal é a única instância que pode ditar leis de imigração.

 

Após a decisão da juíza, a governadora do Arizona, Jan Brewer, respondeu hoje com uma apelação no Nono Circuito de Apelações em São Francisco, para que a lei entre em vigor em sua totalidade.

 

Enquanto Brewer apresentava a apelação, a polícia prendeu ao menos 40 manifestantes que protestavam nas ruas de Phoenix contra a nova lei estadual, a primeira do país que criminaliza imigrantes sem documentos.

 

A versão original da lei determinava que as autoridades tinham obrigação de verificar a situação migratória de pessoas que despertassem a suspeita de estarem clandestinamente nos EUA, o que críticos diziam ser uma forma institucional de discriminação. Analistas dizem que a sentença contra a lei pode impedir que outros estados do país adotem medidas muito rígidas contra os imigrantes ilegais.

 

Em cerca de outros 20 estados do país, legisladores republicanos cogitam adotar medidas inspiradas no Arizona. "Se a Corte Suprema retiver o mandado judicial, provavelmente atenuará qualquer possível legislação," disse Mark Jones, professor de Ciências Políticas da Universidade Rice, do Texas.

 

A Assembleia Legislativa do Arizona, de maioria republicana, aprovou há três meses a lei anti-imigração, com a intenção de expulsar do estado quase 500 mil estrangeiros ilegais, além de reduzir o tráfico de drogas e pessoas na fronteira com o México. A medida tem amplo apoio popular no Arizona.

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