Caso da mala com dinheiro é 'monte de lixo', diz Chávez

O presidente venezuelano, HugoChávez, apoiou na terça-feira a colega argentina, CristinaKirchner, qualificando como "monte de lixo" a investigação nosEstados Unidos que vinculou a campanha eleitoral dela a umamala com dinheiro ilegal venezuelano. Um promotor norte-americano tenta provar que quatro agentesdo governo de Chávez entregaram nos EUA uma mala com dinheiro aum empresário venezuelano que foi enviado a Buenos Aires paraajudar na campanha de Cristina. Mas Chávez, maior inimigo dos EUA na América do Sul, seuniu à posição já adotada por Cristina, que apontou umaoperação armada para prejudicar a Venezuela e seus laçospolíticos com Buenos Aires. "Tudo é um monte de lixo, como já denunciou a presidente",disse Chávez ao final da cúpula do Mercosul em Montevidéu."Temos de nos cuidar. Podem nos plantar droga, podem nosplantar uma mala cheia de dólares, uma bomba, trata-se doimpério mais perverso, que destroça os povos, mente", afirmou ajornalistas, referindo-se aos EUA. Cristina e o boliviano Evo Morales também denunciaram emseus discursos da cúpula a "intromissão" estrangeira paradesestabilizar a região. O governo argentino convocou o embaixador dos EUA em BuenosAires, Earl Anthony Wayne, para manifestar seu protesto ereiterar o pedido para que o empresário venezuelano GuidoAntonini Wilson seja extraditado para enfrentar a acusação decontrabando. A história começou em agosto, quando Antonini Wilsonembarcou num avião fretado por uma estatal argentina paratrazer funcionários de Caracas e Buenos Aires. Antonini levava uma mala com quase 800 mil dólares semdeclarar, que foi apreendida na alfândega argentina. Oempresário foi liberado. Dias depois, quando Antonini já havia voltado a Miami, ondevive, a Justiça argentina abriu um processo por tentativa decontrabando e pediu sua extradição. A investigação local não avançou, embora o governoargentino tenha demitido o funcionário que permitiu que oempresário embarcasse no avião. Tudo ficou suspenso até este mês, quando a investigação nosEstados Unidos sobre os quatro supostos agentes da Venezuelaindicou que o dinheiro partira deles e se destinaria à campanhade Cristina. Numa audiência judicial na segunda-feira, o promotor docaso disse que os supostos agentes ofereceram a Antonini 2milhões de dólares por seu silêncio.

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