Celso Amorim e embaixadora americana divergem na ONU

Susan Rice disse que aquele 'não era o local' para chanceler pedir fim de intimidação a Embaixada em Honduras

Gustavo Chacra e Denise Chrispim Marin, O Estado de S. Paulo

25 de setembro de 2009 | 20h07

O chanceler brasileiro, Celso Amorim, teve um bate-boca com a embaixadora dos EUA nas Nações Unidas, Susan Rice, na reunião desta sexta-feira, 25, do Conselho de Segurança da ONU. O incidente ocorreu logo depois de o chanceler brasileiro discursar na sessão extraordinária do órgão em que foi aprovada por consenso uma declaração pedindo o fim das intimidações do governo de facto hondurenho contra a Embaixada do Brasil em Tegucigalpa.

 

Veja também:

linkZelaya pode ficar na embaixada quanto quiser, diz Lula

linkRepórter do 'Estado' relata tensão para chegar a Honduras

lista Ficha técnica: Honduras, um país pobre e dependente dos EUA

lista Eleito pela direita, Zelaya fez governo à esquerda em Honduras

especialCronologia do golpe de Estado em Honduras

especialEntenda a origem da crise política em Honduras

mais imagens Veja galeria de imagens do retorno

som Eldorado: Ouça comentário de Lula sobre crise política

video TV Estadão: Jornalistas do 'Estado' discutem impasse em Honduras

video TV Estadão: Ex-embaixador comenta caso Zelaya

 

"Este não é o local adequado para este tipo de representação", disse Rice para Amorim quando os dois já estavam de pé e parte dos embaixadores haviam se retirado para deliberar sobre a questão apresentada pelo Brasil. O chanceler brasileiro respondeu que "não faria uma discussão teórica sobre isso."

 

Depois de uma conversa inaudível, Amorim acrescentou - "se fosse a Embaixada dos Estados Unidos, você estaria muito irritada". Rice retrucou que "ainda assim não faria comentários". Amorim finalizou dizendo "vá em frente, faça a sua declaração."

 

Ao ser questionada pela Agência Estado sobre a discussão, Rice respondeu: "Tivemos uma conversa privada que não estamos preparados para partilhar com vocês". Horas mais tarde, em entrevista coletiva a jornalistas brasileiros, o ministro citou a resposta da embaixadora para não comentar o assunto.

 

Depois da discussão, Rice seguiu com outros embaixadores para uma reunião a portas fechadas dos 15 membros do Conselho de Segurança. Amorim não participou. Usando palavras quase idênticas às do ministro brasileiro em seu discurso de introdução, a embaixadora leu a declaração do conselho condenando "os atos de intimidação contra a Embaixada do Brasil" e pedindo ao "governo de fato de Honduras que encerre as ameaças" contra a missão brasileira.

Tudo o que sabemos sobre:
Honduras

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.