Cercado por policiais, congresso determina futuro de Zelaya

Previsão é de que cinco bancadas analisem separadamente as opiniões e definam o procedimento parlamentar

José Luis Paniagua, Efe

02 de dezembro de 2009 | 19h31

O Congresso de Honduras se reuniu nesta quarta, 2, para determinar se o presidente deposto, Manuel Zelaya, retornará ou não ao poder, rodeado por um operacional policial que bloqueia a passagem a cem metros do edifício e com protestos de centenas de seguidores do líder nas imediações.

 

Após eleições que não foram reconhecidas por grande parte da comunidade internacional, o Congresso começou nesta quarta a seguir o que foi estabelecido pelo Acordo Tegucigalpa-San José, assinado no dia 30 de outubro por representantes do presidente deposto e do líder de fato, Roberto Micheletti, como saída à crise.

 

"O Congresso Nacional está pronto para cumprir o compromisso estabelecido no ponto número cinco do acordo Tegucigalpa-San José", disse o presidente do Congresso, José Alfredo Saavedra. Ele expressou sua confiança em que as decisões da Câmara "se ajustarão de acordo com a vontade e o desejo do povo hondurenho".

 

A sessão começou com uma oração, que os deputados escutaram de mãos dadas, em homenagem ao familiar falecido de uma deputada, após a qual houve a leitura dos relatórios solicitados ao Ministério Público, à Procuradoria, à Suprema Corte e ao Comissário de Direitos Humanos sobre a situação de Zelaya.

 

A previsão é de que as cinco bancadas do Congresso, de 128 cadeiras, analisem separadamente as opiniões e, em seguida, seus chefes e a direção do Legislativo definam o procedimento parlamentar e a maioria requerida.

 

Enquanto isso, nas ruas, um dispositivo policial isola a sede parlamentar com um cordão de soldados antidistúrbios que fechou as ruas de acesso a cem metros de distância do edifício.

 

No Parque Central, perto da sede do Congresso, centenas de seguidores se manifestam para pedir a restituição de Zelaya.

 

"Esperaremos aqui até que definam sua decisão. Se continuarem a sessão amanhã, voltaremos aqui amanhã. Daqui não vamos nos movimentar", disse à agência Efe Juan Barahona, um dos líderes da Frente Nacional de Resistência Contra o Golpe de Estado.

 

No mesmo local, a vice-chanceler de Zelaya, Beatriz Valle, considerou "descabido" pensar que "os mesmos que deram o golpe contra o presidente admitam que cometeram um erro".

 

"Temos a obrigação, como povo de Honduras, de exigir a restituição do presidente, embora ele tenha dito que não vai aceitar a restituição com condições", disse Beatriz à Agência Efe.

 

Zelaya diz que o Acordo Tegucigalpa-San José foi quebrado pelo Governo de fato de Micheletti por não ter determinado sua restituição no cargo antes de 5 de novembro, data para a qual estava previsto o estabelecimento de um Governo de unidade, que o líder de fato decidiu formar unilateralmente.

 

Apesar de vir afirmando nos últimos dias que não aceitará sua reposição para "legalizar o golpe de Estado" nem aprovar a "fraude eleitoral" de domingo, Zelaya evitou hoje pronunciar-se sobre a eventual situação e disse que isso são coisas "do futuro".

 

Por sua parte, o presidente Micheletti retornou hoje à Casa Presidencial, de onde se manteve "ausente" desde 25 de outubro, e afirmou que Zelaya "já é história", mas que aceitará a decisão tomada pelo Congresso.

 

"Acho que já é história, porque as pessoas já (...) disseram que não estão de acordo com a posição dele de tentar (...) boicotar as eleições", disse Micheletti ao "Canal 10", em alusão ao pleito de domingo, que as autoridades eleitorais afirmam ter tido uma participação de 60% e os seguidores de Zelaya a situam abaixo de 40%.

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