'Chanceler' das Farc vai à Caracas negociar troca de reféns

Para alto comissário para a paz colombiano, viagem de Rodrigo Granda é acontecimento 'significativo'

Reuters e Efe,

30 de outubro de 2007 | 15h54

O guerrilheiro colombiano Rodrigo Granda, conhecido como o "chanceler" das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), está na Venezuela, onde participará dos contatos para o estabelecimento de um acordo para a troca de reféns por guerrilheiros presos pelo governo. A negociação tem como facilitador o presidente venezuelano, Hugo Chávez, que deverá se encontrar em breve com líderes da organização armada clandestina.   A viagem, anunciada pelo alto comissário para a paz colombiano, Luis Carlos Restrepo, foi considerada um acontecimento significativo pelo governo colombiano. Restrepo destacou, no entanto, que a Colômbia não tem "informações sobre avanços específicos" nas negociações.   "O senhor Rodrigo Granda, que havia saído da prisão com uma autorização para fazer avançar as gestões de paz e para que pudesse se movimentar entre Havana e Caracas, já foi até a Venezuela, pelo que sabemos, para o estabelecimento dessas pontes de comunicação", disse Restrepo à rádio Caracol.   Granda foi libertado em junho pelo presidente Alvaro Uribe, a pedido do governo da França, como um gesto unilateral pela soltura da ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, que tem cidadania francesa, e de outros reféns.   No fim de agosto, Uribe autorizou Chávez a atuar como intermediário na busca de um acordo com as Farc pela liberdade de 49 reféns - entre eles três norte-americanos, um ex-governador, cinco ex-parlamentares e vários militares.   Desde então, o presidente venezuelano, que goza da simpatia da guerrilha colombiana, deu início a negociações para receber no país um representante das Farc.   A guerrilha exigia que o governo colombiano retirasse as Forças Armadas de uma área de 780 km quadrados para que houvesse um encontro entre as duas partes. Uribe recusou à demanda.   "Depende muito das Farc movimentar-se com astúcia neste cenário", admitiu o alto comissário, que disse esperar que os rebeldes "não cometam a eterna torpeza de se recusar a falar do tema dos seqüestrados com o presidente Chávez ou de continuar insistindo na famosa" desmilitarização do território colombiano para a negociação de um acordo.   Restrepo afirmou também que o governo colombiano tentará realizar na Venezuela uma reunião com o líder do Exército de Libertação Nacional (ELN), Nicolás Rodríguez, ou "Gabino", para assinar um acordo de base com a guerrilha a fim de negociar a paz. O ELN é a segunda maior guerrilha colombiana, com cerca de 5.000 combatentes.

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