Chanceler de Honduras acusa Brasil de promover conflito

Para Delmer Urbizo, País "prtende ser a nova polícia regional" a serviço do governo americano

Jamil Chade, de O Estado de S. Paulo,

22 de setembro de 2009 | 15h32

O ex-chanceler de Honduras e ex-embaixador do país na ONU, Delmer Urbizo, acusou o Brasil de estar "promovendo um conflito" e "se envolvendo perigosamente" em assuntos internos de outro país ao aceitar em sua embaixada o presidente deposto Juan Manuel Zelaya. "O Brasil pretende ser a nova polícia regional e quer um novo status mundial. Temo pelo que possa ocorrer se o comportamento for esse. Conflitos podem surgir dessa atitude de ingerência em assuntos internos", ameaçou o ex-chanceler. "Não sei se a região está disposta a trocar a ingerência americana por uma ingerência brasileira", atacou.

 

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O diplomata, que declarou seu apoio ao governo de Roberto Micheletti e passou a representá-lo na ONU, foi expulso na semana passada da entidade internacional, depois que o Brasil pressionou para que o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas não fosse autorizado a iniciar seus trabalhos se o embaixador insistisse em se manter dentro da sala.

 

Seguranças tiveram de acompanhar o diplomata para fora da sala, depois de todo o dia de paralisia da agenda da ONU. Além de ex-chanceler, Urbizo já ocupou todos os principais cargos do país e várias pastas no governo durante os anos 90 e parte da atual década, inclusive o de presidente do Banco Central de Honduras.

 

"Agora entendo para que é que o Brasil está se rearmando, comprando caças. Não é para proteger a Amazônia. O País tem outros interesses que vão bem além de seu território", acusou o diplomata, em Genebra.

 

Na segunda-feira, Urbizo estava com seu discurso preparado contra o Brasil. Para ele, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conduz uma política externa "desastrosa". "Se o Brasil acha que pode substituir os EUA na região como a polícia continental, acho que está muito enganado. O Brasil tem um terço de sua população interna na miséria. Deveria estar mais preocupado com isso que com a situação interna de Honduras", disse.

 

Urbizo ainda recomendou que o Brasil deixe de atuar "à serviço dos EUA". "Lula fez muito pelo Brasil internamente. Mas, em sua politica externa, seguiu à risca o que os americanos lhes pediram", acusou o diplomata. "Washington deixou claro que é o Brasil quem o representa na região. Agora, o que o Brasil quer é se aproveitar da situação para mudar a doutrina Monroe. A América do Norte para os americanos e a América Latina para o Brasil", disse Urbizo. "Onde é que estava o Itamaraty durante a ditadura militar no Brasil? Muitos desses diplomatas brasileiros que se dizem pró-democracia atualmente estiveram ao lado de generais. Deveriam ter vergonha do que estão dizendo e fazendo pelo mundo", disse.

 

O ex-chanceler, que está impedido de entrar na ONU, insiste que continua sendo o embaixador hondurenho perante as Nações Unidas e que a entidade oficialmente até agora não processou a suspensão de suas credenciais. Para os demais países, a questão já está fechada e a questão da suspensão do credenciamento é apenas um processo burocrático a partir de agora.

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