Chanceler equatoriana reconhece piora na relação com Brasil

Ministra acredita que com o tempo, relações diplomáticas entre vizinhos serão retomadas após caso Odebrecht

Associated Press e Efe,

16 de outubro de 2008 | 12h24

A chanceler equatoriana, María Isabel Salvador, admitiu nesta quinta-feira, 16, que a relação entre o Equador e o Brasil foi afetada pela polêmica com as empresas brasileiras que operam no país, como o caso da construtora Norberto Odebrecht, mas expressou sua confiança para que elas voltem ao "seu curso normal".   O presidente do Equador, Rafael Correa, assinou no domingo um decreto retirando o visto de altos funcionários da construtora brasileira Odebrecht, na prática expulsando-os do país. No mesmo decreto, Correa revogou ainda os vistos de cinco funcionários da também brasileira Companhia Furnas-Centrais Elétricas. "Vamos avançar positivamente. Temos que dar um tempo de repouso por toda essa situação que ocorreu", avaliou a ministra em entrevista à emissora de televisão Teleamazonas. María Isabel reconheceu que "as relações com o Brasil sem dúvida de alguma maneira foram afetadas pelo caso (da construtora brasileira) Odebrecht". A funcionária reconheceu que a influência é "claríssima". "Mas esse caso já está resolvido, o governo equatoriano já tomou suas decisões."   A Furnas estava encarregada de fiscalizar a reparação da central hidrelétrica San Francisco construída pela Odebrecht, que, segundo o governo equatoriano, apresentou falhas em sua estrutura poucos meses depois que ser entregue a ele. Apesar das ações, a chanceler equatoriana ventilou a possibilidade de melhoras nas relações com o Brasil.   Nas últimas semanas, o presidente Rafael Correa fez críticas à Odebrecht e à Petrobrás. O governo brasileiro reagiu, suspendendo uma visita programada do ministro de Transportes, Alfredo Nascimento, para discutir investimentos no país. A medida foi uma represália às decisões de Correa de expulsar a Odebrecht e ameaçar fazer o mesmo com a Petrobrás.   No primeiro caso, o presidente ordenou que fossem interrompidas quatro obras tocadas pela Odebrecht e que os bens da empresa no país ficassem indisponíveis. O estopim da crise foram as falhas na hidrelétrica de San Francisco, construída pela Odebrecht e que apresentou falhas que levaram à paralisação da produção de energia, meses após a inauguração. A empresa reconheceu o erro e concordou com o pagamento de uma indenização ao Equador, mas Correa por fim não aceitou a proposta, além de acusar a empresa por corrupção - o que a Odebrecht nega.   No caso da Petrobrás, Correa ameaçou nacionalizar o campo petroleiro operado pela empresa na região amazônica equatoriana. Depois o presidente equatoriano chegou a fazer elogios à empresa, por aumentar a produção. "O tema da Petrobrás está sendo resolvido e eu creio que isso será absolutamente positivo para nossas relações", afirmou a ministra.

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