Chanceleres da Unasul deixam Venezuela; diálogo continua travado

Os chanceleres da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) deixaram a Venezuela sem obter avanços no diálogo entre o governo socialista de Nicolás Maduro e a oposição, despertando dúvidas sobre o futuro das conversas para encerrar a pior crise política em mais de uma década no país produtor de petróleo.

ALEXANDRA ULMER, Reuters

20 Maio 2014 | 19h49

A coalizão de partidos opositores, a Mesa de Unidade Democrática (MUD), "congelou" o diálogo na semana passada acusando o governo de miná-lo e de se negar a libertar os "presos políticos", uma das suas principais exigências.

As gestões dos ministros, entre eles o chanceler brasileiro Luiz Alberto Figueiredo, e do núncio apostólico para terminar com a onda de protestos, que desde fevereiro já deixou 42 mortos, estenderam-se por dois dias.

"Não há fatos novos que nos permitam mudar de posição como gostaríamos", disse nesta terça-feira o secretário-executivo da MUD, Ramón Guillermo Aveledo, em uma entrevista coletiva à imprensa.

O dirigente acrescentou que a MUD continua "aberta à possibilidade de diálogo", mas que o governo tem uma "alergia" às conversas e prefere se impor.

"Pela via da imposição, nenhum problema da Venezuela foi resolvido, todos os problemas velhos se agravaram e apareceram problemas novos", explicou.

A MUD exige não só a libertação dos que considera "presos políticos", mas dos detidos durante os três meses de manifestações, além de outras demandas, como a criação de uma comissão da verdade plural que os inclua, e o fim da repressão aos protestos pacíficos.

Apesar de Maduro ter instado seus adversários a não "esmurrar a mesa" de diálogo, tampouco atendeu às exigências dos oposicionistas.

Em um comunicado divulgado nesta terça-feira, a Unasul pediu a ambas as partes para estabelecer uma data para uma nova rodada de negociações.

Desde que os protestos antigoverno começaram em fevereiro, mais de 800 pessoas ficaram feridas e cerca de 3 mil foram detidas, das quais 200 continuam presas.

Os distúrbios no país levaram milhares às ruas para reclamar da inflação elevada, da escassez de produtos básicos e da violência alarmante.

Além de Figueiredo, os chanceleres María Ángela Holguín, da Colômbia, Ricardo Patiño, do Equador, e o núncio apostólico da Venezuela, Aldo Giordano, integram o grupo de mediadores do diálogo iniciado há um mês.

(Reportagem adicional de Diego Oré)

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