Chanceleres do Equador e da Colômbia se reunirão no fim do mês

Países estão retomando relações rompidas após ataque colombiano contra guerrilheiros no Equador

Efe,

17 de agosto de 2010 | 17h50

QUITO- O chanceler do Equador, Ricardo Patiño, informou nesta quarta-feira, 17, que se reunirá com sua colega colombiana, María Ángela Holguín, no dia 27 de agosto em Ipiales, na Colômbia.

 

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Patiño disse em entrevista coletiva que o Equador aceita o pedido colombiano para que a reunião seja realizada nesse dia e adiantou que não serão abordados "temas sensíveis" relacionados ao rompimento das relações diplomáticas por causa do bombardeio colombiano à área de Angostura, em março de 2008.

 

O chanceler comentou que na reunião será analisado, entre outras questões, o projeto geotérmico Tufiño-Chiles-Cerro Negro, a ampliação da ponte internacional de Rumichaca e assuntos de desenvolvimento social, como saúde e educação.

 

Eles também discutirão o problema de refugiados colombianos no Equador, assunto no qual o governo do presidente Rafael Correa exige maior participação da Colômbia.

 

Patiño expressou satisfação com a aproximação entre os dois países, que estão em processo de restabelecimento de relações diplomáticas.

 

Correa rompeu relações com a Colômbia em 3 de março de 2008, dois dias após uma ataque militar colombiano contra um acampamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) na zona de Angostura, na Amazônia equatoriana.

 

O governo do Equador considerou a operação colombiana como uma violação da soberania do país. O ataque deixou, pelo menos, 26 mortos, entre eles o então 'número dois' das Farc, Luis Edgar Devia, conhecido como "Raul Reyes".

 

Brasil

 

Patiño também anunciou hoje que visitará o Brasil na próxima quinta-feira para tratar de assuntos bilaterais e relacionados à União de Nações Sul-Americanas (Unasul), entre outros.

 

O diplomata indicou em entrevista coletiva que, com a visita, o governo do Equador pretende "recuperar com mais força as relações com o Brasil", afetadas pela expulsão, em 2008, da empresa Odebrecht, embora no mês passado tenha se anunciado a possibilidade de que ela volte a operar no país vizinho.

 

Além disso, em sua visita oficial de um dia ao Brasil, Patiño discutirá temas políticos, de infraestrutura, tecnologia e também relacionados com a Unasul, da qual o Equador exerce a Presidência pró-tempore.

Vamos com muita esperança de que esta relação (com o Brasil) se fortaleça", disse.

 

Em 13 de julho, Correa disse que a Odebrecht poderia voltar a atuar no país depois que fossem solucionadas, em acordo, as controvérsias entre o governo e a empresa.

 

Correa declarou à imprensa que o acordo significa "uma derrota total da Odebrecht e uma vitória total do país", porque a construtora brasileira "reconheceu todas as incidências, condicionamentos" e pagamentos exigidos pelo Equador.

 

Em setembro de 2008, Correa ordenou a expulsão da Odebrecht do território equatoriano após não chegar a um acordo para a reparação da usina hidrelétrica de San Francisco, que estava em construção e que apresentou problemas estruturais.

 

A execução dessa obra foi financiada com crédito de US$ 286,8 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), impugnado pelo Equador por supostas irregularidades na contratação.

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