Chávez afirma que terrorismo se abriga nos EUA e não no Irã

Presidente venezuelano diz que governo americano tenta impedir entrada da Venezuela no Mercosul

Efe,

09 de agosto de 2007 | 02h13

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, afirmou que não acredita que "o Irã abrigue o terrorismo" e sustentou que "o país mais terrorista do planeta se chama Estados Unidos". Ele ainda disse que o governo americano influencia o Parlamento brasileiro para retardar a entrada da Venezuela no Mercosul. Em entrevista divulgada na noite de quarta-feira pela televisão da Argentina, país que visitou esta semana, Chávez disse que não é "nem um pouco" anti-semita, opinou que "socialismo e cristianismo andam de mãos dadas" e se definiu como "profundamente antiimperialista". Sobre o Mercosul, disse que a Venezuela quer "integrar" o bloco "há nove anos" e avaliou que "há muitos fatores que tentam impedir" a sua adesão. "Só falta a aprovação dos Congressos. Argentina e Uruguai aprovaram a nossa entrada no tempo requerido. Então, começou uma ação de atraso nos Congressos do Brasil e Paraguai, que vem dos EUA", acrescentou. Depois de afirmar que seu país pode "esperar até setembro" para formalizar sua entrada no Mercosul, admitiu que "o prazo pode se alongar, não é uma coisa taxativa, mas pedimos que o processo se acelere, já que é de alto interesse estratégico". "Os EUA querem evitar a integração da América do Sul", acusou, antes de denunciar "uma campanha muito bem orquestrada" para desacreditar o seu governo. Fidel Castro Chávez também opinou que o presidente cubano, Fidel Castro, "não tem herdeiros". Mas acrescentou que na América Latina "há uma nova onda de lideranças", já que na região não basta um só líder, e citou como exemplos o boliviano Evo Morales e o equatoriano Rafael Correa. O governante venezuelano chegou na segunda-feira a Buenos Aires e assinou acordos na área de energia com o presidente da Argentina, Néstor Kirchner. Ele afirmou que a compra de títulos de dívida argentina com reservas monetárias venezuelanas "não foi pensada como um negócio". Antes de ir ao Uruguai, na terça-feira, o governante confirmou a aquisição de bônus argentinos no valor de US$ 500 milhões. A Venezuela, desde 2005, é uma das principais fontes de financiamento externo da Argentina. Na entrevista, Chávez voltou a definir o presidente americano, George W. Bush, como "um cadáver político" e "o inimigo público número um do povo dos Estados Unidos". "Quanto custou à Venezuela para se libertar? Éramos uma colônia petrolífera. Em 1914 meu país começou a enviar petróleo aos EUA e todos os Governos venezuelanos que quiseram tomar o controle dos recursos naturais foram derrubados", lembrou. Ele garantiu que na Venezuela há "liberdade de expressão até o abuso". Críticas a visita O chefe de Estado venezuelano chamou de "totalmente desorientados e fora de lugar" os membros da comunidade judaica argentina que criticaram a sua visita à Argentina e os seus vínculos com o Irã. A Justiça argentina ditou ordens de captura contra nove iranianos, entre eles o ex-presidente Hashemi Rafsanjani, por sua suposta vinculação com o atentado terrorista de 1994, que destruiu a sede da Associação Mútua Israelita-Argentina, em Buenos Aires, com 85 mortos. "Não posso falar sobre o caso. É um tema interno da Argentina", disse Chávez, após opinar que não acredita "que o Irã abrigue o terrorismo". "O maior país terrorista do planeta se chama Estados Unidos", insistiu.

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