Chávez ameaça 'apoio armado' à Bolívia se Evo for derrubado

Se líder boliviano for morto, haverá 'sinal verde' para apoiar movimentos armados, diz presidente venezuelano

Agências internacionais,

11 de setembro de 2008 | 15h39

 O presidente venezuelano, Hugo Chávez, disse nesta quinta-feira, 11, que se o chefe de Estado boliviano, Evo Morales, fosse "derrubado" ou "morto", haveria "sinal verde para apoiar qualquer movimento armado na Bolívia". Chávez destacou que seu governo "quer a paz", mas está disposto a "exigir respeito" para os governos e líderes legítimos da América Latina.   Veja também:Evo adverte oposição que 'paciência tem limite'Lula expressa apoio a Evo diante da crise na BolíviaForças Armadas vigiarão dutos após ataques Ex-presidente diz que não há risco de golpe Entenda os protestos da oposição na BolíviaEnviada do 'Estado' mostra imagens dos protestos na Bolívia Imagens das manifestações   O venezuelano se pronunciou no momento em que Bolívia vive pelo terceiro dia consecutivo uma onda de violentos protestos contra o governo, que começaram no departamento de Santa Cruz na terça-feira e se estenderam a Tarija. A violência chegou nesta quinta-feira à cidade amazônica de Cobija, capital do departamento de Pando, onde quatro pessoas morreram, segundo relatórios preliminares do governo boliviano, em um enfrentamento armado entre grupos opositores e partidários de Evo. "Se a oligarquia e os 'pitiyanquis' financiados pelo império derrubarem algum Governo nosso, teríamos sinal verde para iniciar operações de qualquer tipo para restituir o poder popular", disse Chávez em rede obrigatória de rádio e televisão. "Se tivéssemos que criar um Vietnã, dois Vietnã ou três Vietnã, aqui estamos dispostos", disse Chávez. O chefe de Estado venezuelano anunciou que seguirão "pelo caminho pacífico, fazendo a revolução bolivariana", e disse que uma de suas responsabilidades "é evitar a guerra". Em seu discurso, no qual anunciou a detenção de várias pessoas na Venezuela devido a um suposto complô contra ele, Chávez também se dirigiu ao governo de Washington para exigir: "Deixe-nos fazer nossa própria história, construir nosso próprio mundo". "Nascemos para ser livres, não para ser lacaios do imperialismo ianque", disse Chávez, que afirmou ter conversado com Morales e com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Alerta ao Império Ainda nesta quinta, Chávez disse que a presença de aviões de combate da Rússia em solo venezuelano é um "aviso ao império". "A presença destes aviões na Venezuela é um aviso. A Rússia está conosco. Somos aliados estratégicos. Está é uma mensagem ao Império. A Venezuela já não é aquela pobre e solitária, explorada e humilhada", afirmou. O líder venezuelano ainda usou o petróleo como argumento contra os EUA. "Ao mundo todo é conveniente que haja paz na Venezuela. Se algo grave acontecer aqui e deixar de sair os três milhões de barris de petróleo diários, o preço chegaria aos US$ 200", advertiu. "Ninguém quer que se coloque em risco a maior reserva de petróleo do planeta, a nossa", assegurou Chavéz, referindo-se à região do Orinoco. Os bombardeiros aterrissaram na quarta na Base Aérea El Libertador, após atravessarem o Oceano Atlântico em 13 horas, travessia durante a qual foram escoltados por caças russos Su-27 e, durante certo tempo, vigiados por aviões da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). O TU-160 é capaz de carregar 12 mísseis de cruzeiro com ogivas nucleares ou convencionais e 40 toneladas de bombas.No entanto, Drik explicou que "não havia armas nucleares a bordo destes aviões". Os dois bombardeiros supersônicos russos TU-160 retornarão a suas bases no dia 15 de outubro, informou a Força Aérea Russa. Enquanto isto, os TU-160 efetuarão manobras de vôo em águas internacionais do Oceano Atlântico e do Caribe, segundo Vladimir Drik, porta-voz da Força Aérea Russa citado pela agência Interfax.  

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