Chávez ameaça nacionalizar empresas colombianas

Venezuelano afirma que companhias brasileiras podem assumir o espaço que ficará vago no mercado do país

Reuters e Associated Press,

06 de março de 2008 | 08h44

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, disse que a grave crise diplomática com a Colômbia vai resultar na diminuição do comércio entre os dois países e afirmou considerar estatizar empresas colombianas presentes na Venezuela. Ele ainda sugeriu que empresas do Brasil assumam o espaço que será deixado pelas colombianas.     OEA: falta muito para resolver impasse Chávez protegeria nº 1 das Farc, diz rádio Chávez acusa Uribe de 'crime de guerra' Lula classifica de madura decisão da OEA sobre conflito regional Resolução diz que Colômbia violou soberania do Equador Colômbia exibe imagens da incursão militar  Dê sua opinião sobre o conflito   Por dentro das Farc  Entenda a crise   Histórico dos conflitos armados na região   'É possível que as Farc se desarticulem'   Embaixador brasileiro Osmar Chohfi comenta decisão da OEA A Venezuela vai procurar em outros países produtos que possam substituir as negociações comerciais anuais de US$ 6 bilhões com a Colômbia, de acordo com Chávez.  "Vamos fazer um mapa dos negócios da Colômbia aqui na Venezuela. Podemos nacionalizar alguns, assumi-los, não estamos interessados em investimentos da Colômbia aqui", disse Chávez, em entrevista coletiva em Caracas ao lado do presidente do Equador, Rafael Correa. "Não podemos depender mais nem de um grão de arroz" da Colômbia. Chávez fez ameaças similares a companhias espanholas durante uma tensão diplomática com aquele país no ano passado, mas nunca concretizou as promessas. O venezuelano adiantou que irá buscar outros países para substituir as importações procedentes da Colômbia, principalmente produtos agrícolas, e mencionou o Brasil, Argentina e Equador. A Colômbia é o segundo maior parceiro comercial da Venezuela, depois dos EUA, que importa basicamente petróleo de Caracas. Chávez também afirmou que os investimentos venezuelanos na Colômbia podem ser liquidados.Membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e aliados, Venezuela e Equador se uniram nas duras críticas contra a Colômbia, aliada dos Estados Unidos, nesta semana, após tropas colombianas bombardearem um acampamento das Farc em território equatoriano, matando mais de 20 guerrilheiros. A Colômbia, apoiada pelos Estados Unidos mas condenada pela maioria dos líderes latino-americanos, acusa Equador e Venezuela de abrigarem rebeldes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Venezuela e Equador enviaram tropas para suas fronteiras com a Colômbia e cortaram laços diplomáticos com o país vizinho.  Chávez concedeu uma entrevista coletiva na noite de quarta-feira ao lado do presidente equatoriano, Rafael Correa, que está num giro pela América Latina em busca de apoio contra uma incursão militar colombiana contra o território de seu país. Correa disse ter ficado satisfeito com resolução aprovada na Organização dos Estados Americanos (OEA) que reafirmou o princípio de inviolabilidade do território de um Estado.   "Estamos esgotando todas as instâncias pacíficas e diplomáticas para que a comunidade internacional condene o agressor", disse Correa, que já esteve no Peru e Brasil em busca de apoio contra a invasão das tropas colombianas em território equatoriano para bombardear um acampamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).   "Crime de guerra"   Chávez disse que lhe causa "risos" a ameaça do presidente colombiano, Alvaro Uribe, de denunciá-lo na Corte Internacional de Justiça, em Haia, por financiamento e apoio a grupos terroristas, por supostas informações colhidas em um computador encontrado no acampamento bombardeado. "Vamos ver quem sairá condenado", ironizou Chávez. "Exigimos a condenação do governo da Colômbia por esse ato aberrante", que ele classificou de "crime de guerra".   Carregando nas críticas, Chávez qualificou de "genocida" o governo colombiano, e acusou Uribe de respaldar grupos paramilitares de extrema direita que promovem massacres na Colômbia.

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