Palácio de Miraflores/Efe
Palácio de Miraflores/Efe

Chávez ameaça romper relações com a Colômbia após acusações

Presidente nega que rebeldes das Farc e da ELN estejam em território venezuelano

estadão.com.br, com agências,

16 de julho de 2010 | 22h58

CARACAS- O presidente venezuelano Hugo Chávez afirmou nesta sexta-feira, 16, que não irá assistir à posse do novo presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, porque tem que "cuidar da sua vida", e advertiu que pode romper as relações com o país vizinho "nas próximas horas".

 

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Chávez garantiu que o presidente que está deixando o cargo, Álvaro Uribe, a quem chamou de "mafioso", "é capaz de qualquer coisa", sugerindo que ele poderia ordenar um atentado contra a sua vida.

 

"Nós não escondemos ninguém", disse o presidente em um discurso transmitido em cadeia obrigatória de rádio e televisão. "Se continuarem com suas loucuras, nas próximas horas eu vou romper as relações com a Colômbia e seria muito mais difícil" que elas possam ser retomadas após Santos assumir, em 7 de agosto.

 

O líder socialista disse que Uribe está "brigado com Santos" e que por isso está o sabotando. "Faço um chamado ao presidente eleito: eu peço que ele fique longe de Uribe", disse, lembrando que tinha autorizado seu ministro de Exteriores, Nicolás Maduro, a se reunir com María Ángela Holguín, futura chanceler de Santos.

 

Chávez reiterou que não assistirá à posse de Santos, que "não é nenhum santo de nossa devoção", mas com quem está disposto a normalizar as relações. "Não devo assistir à posse, o lamento muito", porque "a Colômbia é uma nação irmã, só que chegou lá uma burguesia que nos odeia", acusou.

 

As tensões entre Colômbia e Venezuela voltaram a crescer nesta sexta, com a reação de Caracas ao anúncio de Bogotá, na quinta, de que o governo teria provas "claras, concretas e confirmadas" da presença de líderes guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e do Exército da Libertação Nacional (ELN) no país vizinho.

 

Uribe chegou a se reunir com a cúpula militar de seu governo para discutir o conflito e a Chancelaria colombiana emitiu um comunicado no qual pede que o caso seja discutido pela Organização dos Estados Americanos (OEA) o mais rápido possível.

 

Caracas, por sua vez, convocou seu embaixador em Bogotá para reuniões com Chávez e advertiu que o anúncio da suposta presença de líderes guerrilheiros em seu país é uma ação orquestrada por Bogotá e Washington.

 

Tensões

 

O pronunciamento do governo colombiano retoma as tensões entre Bogotá e Caracas, congeladas há quase um ano. A eleição do presidente Juan Manuel Santos, do mesmo partido de Uribe, despertou esperanças de que as relações diplomáticas entre os países pudessem ser normalizadas, uma vez que ambas as partes mostraram-se "dispostas" a dialogar.

 

Chávez e Santos, porém, não cultivam bons laços. O colombiano é um ex-ministro da Defesa que comandou uma política de tolerância zero contra os rebeldes em seu país e é considerado um "homem de guerra" pelo líder venezuelano. Santos, por sua vez, já disse que ele e Chávez são como "água e óleo e não se misturam."

 

As relações diplomáticas entre os vizinhos foram interrompidas por decisão do presidente venezuelano, Hugo Chávez, após a acusações colombianas de que haveria um suposto desvio de armas da Venezuela para as Farc. Chávez disse que tais alegações são "irresponsáveis".

 

As tensões aumentaram em outubro de 2009, quando a Colômbia assinou um acordo com os EUA que permite que os americanos utilizem instalações militares no território colombiano para combater o narcotráfico e o terrorismo. Chávez se opõe contundentemente ao acordo, principalmente por autorizar os soldados americanos a atuar tão perto de seu país.

 

Atualizado às 23h31

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